10 Regras para Escrever: Jonathan Franzen

Comecei a semana com um artigo que trazia uma citação do Jonathan Franzen. Pesquisando um pouco sobre ele,  descobri que o jornal inglês The Guardian convidou esse cara e muitos outros autores a escreverem dez regras para os aprendizes de escritores de ficção.

Tem lugar melhor que esse blog pra divulgar uma tradução dessas regras.

Em homenagem ao Franzen, que foi quem me ajudou a descobrí-las, começo a série com ele.

  1. O leitor é um amigo, nem adversário, nem espectador.
  2. Uma ficção que não seja uma aventura pessoal do autor no desconhecido ou no assustador só vale ser escrita por dinheiro.
  3. Nunca use a palavra “então” como conjunção — para isso existe o “e”. Usar  “então” nessa substituição demonstra que o escritor teve preguiça ou incapacidade de resolver o problema do excesso de “e” numa página.
  4. Escreva em terceira pessoa, exceto quando uma voz em primeira pessoa verdadeiramente distinta se oferecer de forma irresistível.
  5. Quando a informação se torna gratuita e universalmente acessível, pesquisar demais para um romance acaba desvalorizando a obra.
  6. A ficção autobiográfica mais pura exige invenção pura. Ninguém conseguiu escrever uma história mais autobiográfica do que “A Metamorfose“.
  7. Você enxerga mais ficando sentado do que correndo atrás.
  8. É duvidoso que qualquer um com uma conexão de internet no seu local de escrita esteja produzindo boa ficção (uma matéria de capa na TIME descreveu como Franzen desliga a internet no seu notebook de escrita).
  9. Verbos interessantes raramente são muito interessantes.
  10. Você precisa amar antes de ser implacável.

Particularmente, curti muito a primeira. Acho que eu nunca recebi um conselho tão bacana sobre como lidar com o leitor. A quarta também é uma boa régua pra complicações que só atrasam a vida de quemestá se atrasando com detalhes. E, embora evolva uma discussão mais ampla, os fundamentos da décima já foram debatidos por aqui essa semana.

E vocês, concordam com o Johnny?

  • Bruna Barlach

    O oito é o melhor, a internet atrapalha de verdade. Eu só consigo escrever de verdade na madrugada, quando nada de interessante acontece na internet, o que é péssimo.

    Mas sério, tirando isso, concordo em certa medida com todos, mas é isso, em certa medida.

  • Vanda cardoso lima

    Fico com a última: “Amar antes e ser implacável”, pois a escrita depende de todo um emocional..do sentimento de desejo de ser escritor.

  • http://sobodomíniodobode.blogspot.com Bode

    Olha, esse lance da internet é a mais pura verdade (agora mesmo deveria escrever alguma coisa, já que a vontade de “poetar” é latente…), e, em relação à décima: amo ser implacável! rsrsr

    abraços Cobbão!

  • http://aprendizdeescritor.com.br Bruno Cobbi

    Bruna,
    As vezes não é culpa só da internet. Eu já li em alguns lugares que esse lance de sermos mais produtivos num determinado período do dia tem a ver com o metabolismo da gente. É como se alguns de nós fossem “programados” para funcionar melhor em determinado período.

    Tem até um teste que rola por aí. Descubra qual o seu tipo.

    Vanda,
    As melhores disciplinas acontecem pelo amor e não pela intimidação, né?

    Bode,
    Larga a mão de procrastinar e vai escrever!

  • http://brontops.blogspot.com/ Brontops

    Fala Bruno…

    Aqui no Meia Palavra, tem outros “decálogos” traduzidos do Guardian:

    http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=4840

    Abs

  • http://vandacardosolima.blogspot.com/2010/11/um-escritor-leitor-nunca-morre.html Vanda Cardoso Lima

    Pode até existir várias regras para escrever, mas fico com a resposta da Bruna, que diz tem algumas pessoas que escrevem conforme a hora, o emocional, o momento… Isso eu acredito pois toda vez que acordo de madrugada começo a escrever sem parar, sem preocupar com as ortografias, gramáticas etc… Apenas lanço na tela meus pensamentos, aí sim vou lendo mudando algo e assim acabo escrevendo.

    Ás vezes estamos preparados para escrever naquela hora, no momento emocional.

  • http://aprendizdeescritor.com.br Bruno Cobbi

    Olá Bronts,

    Obrigado pela dica. Vou colocar mais alguns aqui pra aprimorar a tradução, incluir meus comentários e ter mais de uma fonte disponível em português. O Meia Palavra é confiável mas nunca se sabe, afinal, eles já perderam a base de dados deles uma vez.