5 Respostas :: Quer Ser Escritor?
Como falei ontem, bolei uma postagem dedicada aos marujos de primeira viagem para encerrar o ano. Ela nasceu na resposta de um e-mail para a Carol, uma Aprendiz de Escritora muita simpática e audaciosa que entrou em contato por e-mail.
Como as perguntas dela resumem bem as dúvidas da maioria dos Aprendizes que me procuram por e-mail, tweet, scrap ou comentário, pedi permissão para publicar tudo por aqui e aproveitar a deixa para dar uma mãozinha aos outros Aprendizes que aportarem por aqui.
Mantive a resposta na íntegra pra quem leu o e-mail da Carol na postagem anterior e ficou curioso. Contudo, coloquei as perguntas como subtítulos, em destaque, pra quem quiser ir direto ao assunto. Boa leitura!
Olá Carolina!
Nossa, eu queria que vc tivesse visto a minha cara quando, por causa do seu e-mail, eu fiz o teste de colocar a palvara “escritor” no Google e descobri que o meu blog aparece logo antes do site oficial do Paulo Coelho! Caramba, ANTES! Eu dei PULOS de alegria! Além de toda divulgação que isso pode vir a gerar, como o seu e-mail comprovou, tem o fato dessa descoberta ter acontecido através do contato de um leitor (ou leitora, no caso, rs), e vc não imagina como eu fico contente quando recebo um e-mail de um leitor! Ah! E tem também tem o fator “história adquirida”! Essa vai ser uma ótima história pra contar sobre o meu blog.
1. O curso de formação de escritores é uma pós graduação, certo? Então eu queria saber qual curso superior vc concluiu antes dessa pós?
Bom, eu sou formado em Design Multimídia pelo SENAC. Sempre tive paixão por internet e arte em geral. Particularmente, descobri minha vocação pra escritor bem tarde, comparado a algumas pessoas que eu conheço que escrevem desde os 10 ou 15 anos, como é o seu caso pelo visto. Ler e escrever sempre foram coisas naturais pra mim, eram passatempos! Embora eu sempre tenha me destacado nas redações escolares, nunca tinha passado pela minha cabeça “ser escritor”, por assim dizer. Descobri essa vocação em meados de 2008 e, se soubesse disso antes, talvez tivesse escolhido outra formação acadêmica como fizeram muitos dos meus colegas de classe. A maioria deles é formado em Letras ou Jornalismo. No entanto, minha formação como designer tem somado muito à minha carreira como escritor, principalmente na forma como meu processo criativo funciona e servindo até como um diferencial de estilo e postura literária. Mas isso é papo pra outra hora.
Se eu estivesse com a sua idade e tivesse no meu espírito toda a certeza que eu tenho hoje de que o que eu quero na vida é ser escritor, eu certamente procuraria o curso de Formação Superior para Escritores e Agentes Literários da Unisinos, lá em Porto Alegre. Dê uma olhada:
http://www.unisinos.br/formacao_especifica/escritores/
Essa é a minha dica!
2. Se manter como escritor no Brasil é mais difícil do que como qualquer outra variação de artista? Se sim ou se não, por quê?
Sim, ser escritor no Brasil é uma tarefa complicada. No entanto, com a situação atual do emprego no país, não tenho certeza do quão diferente as coisas estão com relação às demais carreiras. Muitos literatos que conheci têm carreiras paralelas que subsidiam e até patrocinam suas atividades como escritores. A maioria são redatores, revisores, editores, tradutores, e até advogados, médicos ou engenheiros (ou webdesigners, como eu!) e eles usam essa carreira para pagar as contas, desenvolvendo a atividade de escritor em paralelo, já que ela demora um pouco mais a dar os frutos necessários para pagar o aluguel.
Existem vários motivos que dificultam os passos de um aprendiz de escritor. Primeiro, que nosso país tem mais gente escrevendo do que lendo. Dê uma boa olhada na pesquisa “Retratos da Leitura”, do Instituto Pró-Livro para ver só uma coisa. Além disso, o livro é artigo de luxo (ninguém morre se ficar sem ele), então vc tem que ter, além do talento, um tino de marketing bem acurado e caprichar no networking pra se destacar da massa e ser escolhido pelas editoras e leitores.
Segundo, que o país tem uma visão romantizada do escritor, ligada à boemia e a um talento que “não se ensina em escola”. Embora na europa os cursos superiores para escritores já sejam muito comuns em grandes universidades como Harvard, aqui no Brasil ainda são vistos com maus olhos. Cansei de ouvir coisas como “o que vc vai fazer com um diploma de escritor”? Entretanto, não me intimido. Assim como é possível ter um diploma de artista plástico e cineasta, acredito que um diploma de escritor prova o que precisa provar: que você frequentou aulas e se dedicou de corpo e alma a aprender um ofício com professores de alto calibre num ambiente acadêmico e que tem grandes aspirações profissionais a esse respeito.
Por último, assim como em toda profissão, todo escritor precisa, antes de qualquer outra coisa, ser apaixonado e obstinado pela sua vocação. Mais do que as demais profissões, a arte da escrita é um ato solitário que demora a ser disciplinado e precisa ser praticado diariamente para ser dominado. Pra ilustrar, um dos meus professores, o fabuloso Nelson de Oliveira, me disse que “parar de escrever uma historia é muito fácil, obstáculos não faltam, o difícil mesmo é terminá-la”. Acredito piamente que essa disciplina diária da escrita é o caminho mais curto na direção do sucesso e, como aprendiz que sou, estou em busca disso.
3. Qdo vc está na rua e tem uma idéia pra criar um texto, o que vc faz?
Muitos amigos escritores e professores da faculdade me aconselham a andar com um caderno ou bloco para fazer anotações. entretanto, eu ODEIO escrever à mão, rs. Por conta disso, aproveitei minha afinidade na área de tecnologia para criar outras ferramentas de anotação. Atualmente, eu tenho um celular bacana que grava voz e tem um mini teclado compacto (similar a esse onde estou escrevendo no computador) que me permite fazer anotações breves. Como eu tenho vergonha de ouvir minha prória voz, eu prefiro usar as notas digitadas no aparelho, mas aos poucos estou me acostumando com as gravações: elas são bem mais ágeis e até mais divertidas quando feitas entre amigos. Às vezes, as pessoas me vêem pela rua falando de dragões e zumbis ao celular e fazem uma cara meio estranha, mas eu nem ligo!
O fato é que vc PRECISA criar um jeito de anotar as suas idéias, pq, se bobear, elas vão embora mesmo! No começo eu achava que era besteira e que eu lembraria das coisas conforme fosse começando a escrever e retomando o assunto, mas não é verdade. Quando criei o hábito de fazer anotação eu percebi quantas idéias boas eu teria perdido se não as tivesse anotado do jeito que elas vieram ao mundo. Ah! E isso também cria outra coisa curiosa, que é o fato de você poder comparar a obra finalizada com a idéia original: parece brincadeira de telefone sem fio!
4. Quais dicas que vc me daria pra enriquecer minha base como escritora? Ou melhor, o que vc faria, com a minha idade, pra acelerar sua formação como escritor?
A escritora Tatiana Belinky (leia uma entrevista dela pelo meu amigo Marcelo Maluf) dá três conselhos que eu acho que são primordiais pra qualquer canditado a escritor: “Leia, leia, leia!”. A leitura vai te fazer compreender o verdadeiro alcance da literatura e te dar um entendimento maior das ferramentas que um escritor têm a mão. Ser escritor é diferente de contar histórias. Um contador de histórias dispõe de recusos com sua audiência que o escritor não possui, e vice versa. São artes irmãs, mas completamente diferentes.
Além desse conselho da Tatiana, eu lhe daria um segundo conselho que é: “Escreva, escreva, escreva!”. “Treinar” a escrita é como fazer exercício numa academia: quanto mais se faz, melhor e mais potente se fica. Para fazer outra metáfora, não importa o quanto vc estude kung fu ou bicicletas, só vai aprender a lutar ou pedalar quando arregaçar as mangas e sair a campo para se exercitar. Com as letras é igualzinho!
5. Se vc quisesse convencer alguém a escrever que argumentos vc usaria?
Bom, se eu tivesse que “convencer” um Aprendiz de Escritor a escrever eu certamente mudaria de idéia e o aconselharia a procurar sua verdadeira vocação. Quando se é escritor, a vontade de escrever é forte demais. É lógico que todo escritor passa por períodos de adaptação até de carência, mas a disciplina literária vai ajudando a contornar esses obstáculos. Todavia, me parece que essa sede de escrever é incontrolável para quem é autêntico no ofício das letras.
Para os escritores que ainda estão “travados” ou começando, eu diria que o melhor jeito de gostar de escrever é lendo. Nesse sentido, a literatura é bem similiar à arte de contar histórias: o melhor jeito de causar a vontade de contar histórias em alguém é contando uma boa história a essa pessoa. Nesse ponto, o conselho da Sra. Belinky é fundamental e acaba virando técnica: para querer escrever, basta ler muito!
Bom, demorei alguns dias para responder (na verdade quase uma semana toda) porque quis pegar sua carta com calma e respondê-la com o carinho e a atenção que ela merece. Muito obrigado por ter escrito e espero que as minhas dicas (de aprendiz, para aprendiz, que fique bem claro!) lhe sejam úteis nessa jornada que se inicia. Seja sempre bem vinda ao Aprendiz de Escritor e aguardo mais notícias sobre sua carreira, quem sabe não leio alguma coisa sua em breve?! Seria um prazer!
Por último, gostaria de fazer um pedido a você: suas dúvidas certamente são as dúvidas de muitos outros aprendizes de escritores que estão perdidos por aí. Eu queria sua permissão para publicar essa nossa troca de perguntas e respostas como uma postagem lá no blog para que isso ficasse disponível para outras pessoas também se aproveitarem das dicas. Lógico que, caso você se sinta mais confortável, eu posso manter seu nome em sigilo (assim como farei com seu endereço de e-mail, pode ficar tranquila), mas seria um prazer transcrever essa experiência que estamos tendo lá pelo blog para que outros aprendizes de escritores possam se beneficiar dela.
E aí? O que me diz?
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Um forte abraço e muita luz!
Tô me sentindo super honrada com esse post…
Mais uma vez eu agradeço por você ter respondido meu e-mail com a atenção que respondeu! Tomei a liberdade de publicar no meu blog tbm, tá? ;D Ele não tem muitos textos, mas tentarei postar com mais frequencia no próximo ano
Esse ano que está por vir será meu ultimo no ensino médio e eu precisarei de muita cautela pra decidir o rumo a seguir. Mas seja qual for esse rumo, seja qual for esse caminho, os livros estarão sempre ao meu lado, serão sempre os meus mais fiéis companheiros rsrsrs
Nunca vou desistir de ser escritora, nunca vou deixar de ler e nunca vou deixar ninguém me dizer que não vale a pena seguir meu sonho.
Bruno, que você tenha um 2010 mágico, com tudo que existe de melhor. E que quem é, assim como eu, aprendiz ou aspirante a qualquer coisa tenha muita força e muito determinação pra colocar seu nome na história como alguém que venceu no que queria!
Muito obrigada
Feliz Ano Novo
Beijão
Oi, Carol e Bruno.
Foi um grande prazer ler este post, tão adequado a todos nós, iniciantes ou não, quando a reflexão sobre “ser escritor” é levantada. Posso dar uns pitacos?
É o seguinte…
Curse o curso que você tiver vontade e não precisa se preocupar se ele é ou não ligado diretamente à arte de ficcionar. Seja você uma advogada (como John Grinshan), um funcionário de repartição pública (como Nelson Rodrigues) ou engenheiro (Euclides da Cunha), sempre vai soprar o vento que te leva aos costados da escrita narrativa, se esse for seu destino.
Os mares dessa arte são amplos e topar com uma ilha perdida no tempo e no espaço é sempre possível. Ser médico te dá aquela habilidade com o jargão científico que te possíbilitará escrever com precisão quando os temas forem as ciências humanas. Um técnico em computadores pode debulhar bytes e bits linhas afora e se dar bem com um estilo mais “science” ou com uma poesia “new weird”. Não há como escapar de armadilhas que a escrita nos coloca ao nos metermos a escrever.
Se você pensa em compôr sobre vampiros, vai se espantar quando se deparar com uma passsagem em que tem que descrever com detalhes as vestimentas vitorianas, por exemplo, e vai se odiar por não ter feito corte-e-costura. Quando escrever um romance meloso, de repente aparece uma situação em que tem que falar sobre fuzis a táticas militares… Isso sempre acontece! O seu conhecimento de mundo é muito impostante! Não se pode ficar só num estilo literário achando que vai escrever sobre aquilo, que numa hora dessas você se conforntará com armadilhas incontornáveis como as que descrevi acima.
Portanto, sem querer contradizer o nosso amigo Bruno, (e acho que o curso gaúcho seria realmente uma boa!), nem todo muindo pode realizar este sonho. Faça então aquele curso de veterinária que você queria tanto, ou seja aeromoça, como sonhava, ou professora, como sua mãe. Qualquer dessas opções podem enriquecer seu mundo, porque ler de tudo será uma obrigação para um escritor (embora um fã possa passar a vida toda lendo só sobre um tema, escritor é mais que leitor!).
Conhecer outros estilos, saber os porques da literatura é essencial. Por que Juan Rulfo se tornou tão imprescindível à literatura tendo escrito só um romance e uns poucos contos? Por que não se pode afirmar, cabalmente, que Capitu traiu Bentinho? Por que a literatura fantástica se destaca do restante da literatura e, por contraditório que seja, pelo fato de ser mais lida, é considerada subliteratura?
É isso, carol. Bom Ano Novo! Agora não tem mais volta…
Bom, primeiro gostaria dar os parabéns a Carol, o Bruno e Albarus pelos comentários, com certeza vão ajudar uma multidão.
Estava pesquisando no google sobre escritores, a fim de ter mais conhecimentos de como divulgar um escritor, e logo que vi este artigo, me prendi, parabéns mesmo, é de muita valia.
Trabalho com um escritor na ativa há quase 40 anos, mas que só agora quis divulgar seu trabalho. Ele tem um acervo com mais de 85 obras já impressas, então estou buscando como mostrar ao mundo estes livros. Como todo conhecimento é pouco (e por estar começando agora) peço ajuda nisso: caso tenham idéias de como divulgar o escritor e seus livros, por favor, será um prazer.
Muito sucesso para vocês. O mundo precisa de mais escritores.
Excelente postagem Bruno, muito esclarecedora. E Albarus, seu comentário também me ajudou bastante.
Sempre é bom ter dicas quando se está começando.
Muito obrigada.
Abraços.
Cobbi, Carol e demais,
O post e os comentários são bastante inspiradores. Espero realmente dedicar-me melhor à escrita. Se tudo der certo, devo começar o curso de Prática de Criação Literária e, se for menos preguiçoso, ponho meu blog pra funcionar de uma vez por todas.
Abraços!
Esses escritores e suas escritas malucas…
É tudo por aí mesmo, por tudo o que já foi dito.
A gente só pode escrever sobre o que sabe, o que só de longe tem a ver com o curso que se escolhe. De perto, tem a ver é com quem você realmente é. E para se descobrir isso, falta o essencial de tão básico: viver!
Vá lá, viver!
Não aposte um tempo que não é preciso. Se cuidar “só” disso, tudo vem. E o que é melhor, na hora certa e com consistência.
Beijos!
Olá,
Eu gosto muito de escrever e as vezes crio histórias do nada. Quando estou na rua, uma cena surge na minha cabeça e tento guardá-la na memória para não perde-la, mas tenho um probleminha, nunca consigo chegar no final das historias que eu faço.
O que me diz?
Oh Bruno, você não me põe freios então vou continuar por aqui me metendo, ok? É que gostei tanto deste tópico e da simpatia destes escritores tão animados que me contagiei.
Obrigado pelos comentários elogiosos dos colegas.
Luna,
Para divulgar um livro normalmente a editora põe lá sua influência e divulga um pouquinho. Aparece então uma resenha numa revista, ou uma propagandinha num jornal, mas isso acontece só com o livro novo do Milton Hatoum, do Chico Buarque, ou com uma reedição de Clarice Lispector… Se você é um ilustre desconhecido, male mal terá uma editora, que dirá divulgação!
Ninguém divulga o livro de um autor iniciante se não o próprio autor. Se você não é iniciante, mas é desconhecida (obviamente porque não teve divulgação), cai no mesmo balaio de gatos. Divulgação se faz muito por ir pessoalmente à livraria, apresentar-se ao gerente, pedir para falar com os funcionários, apresentar-se a eles e falar sobre sua obra animadamente! Se convencer os livreiros que seu livro é bom, eles vão indicá-lo para aquele leitor que vem pedir opinião de vez em quando (e o livreiro nem sempre sabe o que tem para vender). Aí ele pode se lembrar de você e o cliente pode até comprar seu livro.
Você pode ir a escola onde seu filho estuda e conversar com a diretora para você participar da “semana de leitura” (ou seja lá o que acontece na escola onde ele estuda), e então apresentar-se para os alunos, professores e pais, ler um trecho de seu livro, enfim, dar a cara para bater! Pode ainda ir à biblioteca municipal, doar dois exemplares e se convidar para participar da “Semana Castro Alves” de poesia, e ter seu nome divulgado no jornal da cidade, e por aí afora…
Divulgação é o pior momento do escritor, pior até que distribuição! Você pode gastar uma grana e contratar uma empresa de e-marketing, que mandará e-mails para um monte de gente que nem sequer abriu um livro na vida e que deletarão o e-mail assim que porem os olhos no assunto. Pode ainda mandar contos e comentários para os blogs especializados internet afora, e ver seu nome sendo citado aqui e ali e, um dia, você vai fazer uma pesquisa no Google com o seu nome e vê que tem um lugar lá adiante que citou seu livro ou replicou uma entrevista sua para o fulano de tal, do blog tal… É assim.
Jaquilaine,
Posso dizer que o final de uma história é bem relativo. Alguém disse que não existem bons finais fora do drama. Isso é um assunto longo, onde os escritores modernos que querem fugir do “drama” — mais especificamente o modelo implementado em Hollywood vindo do estruturalismo de Vladimir Propp — onde cada minuto de um filme (ou de um roteiro) é minuciosamente planejado para surtir um determinado efeito num público padrão de 12 anos de idade. Alguns autores, dentre eles o cineasta Lars Von Trier, já compuseram obras com enquadramentos, diálogos, silêncios, seqüências, cenários e figurinos totalmente alheios ao padrão, causando um efeito no enredo que se sobressaia ao drama (assista a Dogville para ter uma idéia do que falo).
A “fuga do drama” pode ser ainda conferida em alguma medida no filme Sangue Negro, dos irmãos Cohen, que recentemente ganhou algumas estatuetas da academia. Nesse filme simplesmente não há final como se espera. Os letreiros começam a subir lá depois de umas duas horas e você faz a clássica pergunta “Ué! Acabou?”
Sim, acabou…
A intenção é contar uma história, bem contada, com andamentos pertinentes, bom conteúdo, desempenhos consistentes dos personagens, enredo à altura etc. O final é dispensável (hehehe… não fique aflita, isso passa!). É claro que nem todo mundo concorda com isso, mas o que posso recomendar é que não se preocupe com o final! Ponha mais neurônios na trama, no enredo, faça dos personagens criaturas “redondas”, cheias de vida, com contradições e defeitos conflitando com suas personalidades e anseios. Faça-as agirem sem pensar, às vezes, na mesma medida com que as faz agir como marionetes suas e deixe-as tomar vida própria. Aí, de repente, você vai ter vários finais possíveis e pode escolher dentre o fácil, o complexo, o surpreendente, o piegas, o revolucionário, etc.
Boa sorte!
Olha, tá de parabéns!
Muito obrigado pelas dicas Albarus, vão me servir muito. Já estamos com o blog pronto! Tá bem legal, mas sempre tentando melhorar… Dá uma olhada lá, vou adorar ter mais opiniões.
Obrigada!
Excelentes as suas dicas, Bruno. Com certeza elas ajudarão muitos dos seus leitores a fazer suas escolhas na vida.
Amei o espaço, a boa troca de idéias e o incentivo. O webdesign ficou muuito bacana!
Nas escolas em que eu estudei, a profissão escritor nunca era mencionada. Talvez por isso fiquei tão alienada, tentando esconder o que eu realmente queria fazer na vida. Felizmente meu amor pelas palavras falou mais alto. Acabei de passar no curso de Direito e fiquei confusa porque o vulcão da escrita acabou de despertar em mim, por isso foi muito importante encontrar esses comentários e opinões.
Obrigada.
Olá pessoal!
Adorei os posts, muito esclarecedores!
Concordo com o fato de que viver de letras no Brasil (e acho que em qualquer parte do mundo) não deve ser fácil, e também acho que ter uma profissão acrescenta muito a sua criatividade!
Ler é realmente uma ótima escola, aprendi muito mais nos livros que na escola ou na faculdade, não que estas não tenham valido a pena, mas com certeza se eu não tivesse paixão pela literatura, não seria a pessoa que eu sou!
O Brasil precisa de textos inteligentes!
Parabéns pessoal!
Obrigada pelas dicas! Pra mim está sendo sensacional ter descoberto esse blog!
Bjks
Obrigada Bruno,
Confesso que precisava dessas dicas, já escrevi um livro e iniciei o segundo, mas me sentia ainda sem rumo, como o que fazer pra ser escritora?
Sei que como eu muitos ficaram gratos… Continue dando essa força pra quem está iniciando…
Adriele
Ok, estou voltando de férias e vejo que escolhi o post certo pra fechar o ano!
Carol,
Bom saber que vc também tem um cantinho para as suas letras na web! Lógico que passei lá no Diário de um ser… e também fiquei muito contente em ver nosso papo publicado por lá. Como você mesma pode ver pelo número de comentários, a publicação do nosso contato foi positiva pra muita gente! Incrível isso.
Obrigado pela permissão para a publicação, parabéns pelo interesse na literatura e comprometimento nos seus sonhos. Como vc mesma disse, esse será um ano decisivo pra você e vamos acompanhar seus passos lá pelo seu Spaces desejando muita luz! Sua participação aqui foi marcante e luminosa. Seja sempre bem vinda ao Aprendiz.
Albarus,
Primeiro, seja bem vindo ao Aprendiz e fique a vontade. Segundo, mesmo que tivéssemos discordado, toda discussão se enriquece com divergências construtivas, mas não foi o caso. Prestando bem atenção, você não me contradisse em momento nenhum — muito pelo contrário, complementou meu exemplo pessoal lembrando como grandes nomes da literatura não estiveram ligados academicamente ao mundo das letras.
Nesse ponto, reforço nosso conselho de Aprendizes para Aprendizes: persiga seu sonho. Se o sonho não paga as contas, mantenha-se o mais próximo dele possível enquanto vc as paga e com isso continue transformando-o em realidade. Eu tenho feito isso e tem sido gratificante. Toda essa discussão é uma grande prova disso.
Luna,
Obrigado pelos parabéns e pela visita. Seja sempre bem vinda.
Sobre sua dúvida, o Albarus já nos deu ótimas dicas sobre essa “divulgação caseira” que um escritor pode fazer tanto pessoal quanto virtualmente. Entretanto, isso me deu uma ótima dica para uma futura postagem aqui pelo blog. Fique atenta!
Luisa,
Seja bem vinda ao Aprendiz. Obrigado pela visita e pelos elogios. Visitei o seu cantinho e descobri que temos uma amigona em comum: a Camila Fernandes com quem eu tive a honra de dividir minha estréia no mundo das letras. Ê mundo pequeno!
Fagner,
Olá parceiro! É bom vê-lo por aqui, nesses mares da virtualidade! Seja bem vindo!
Será um prazer contar com sua companhia lá na pós graduação. Vamos espantar essa preguiça! Ela não combina com o caminho do bom Aprendiz de Escritor! Estou aguardando notícias sobre a sua retomada!
Chris,
É sempre um prazer e uma honra tê-la por aqui. Pra quem não sabe a Chris é dona de um blog divertidíssimo e se lançou recentemente numa antologia bacanésima da Terracota chamada Território V. Prato cheio pra quem gosta de vampiros!
Sobre seu conselho: é o velho dilema da filosofia! Vive-se vida ou filosofa-se sobre ela? Dureza hein! Minha opinião? Equilíbrio é O segredo do universo.
Jaquilaine,
O Albarus já deu dicas ótimas sobre finais e falou nomes que valem MUITO uma BOA pesquisa (especialmente o Propp). Tammbém aconselho uma Googlada no trabalho de dois caras que também podem te ajudar bastante a quebrar esse bloqueio de continuidade narrativa: Christopher Vogler e Joseph Campbell. Taí outra dúvida que me deu uma ótima idéia pra uma postagem aqui no Aprendiz!
Laura,
Cadeira cativa aqui no Aprendiz, a Laura é uma escritora de mão cheia (perdoem-me o trocadilho incidental) que bloga contos eróticos estupendos no Instintos da Pele. Assim como a Chris, a Laura estreou com tudo noutra coletãnea da Terracota chamada BLABLABlogAndreia,
Obrigado pelos elogios e seja bem vinda ao Aprendiz! Curti o experimentalismo da postagem que escolhi pra ler lá no seu Desconceito Apaixão.
Vanubia, Fabia e Adriele,
São comentários como os de vocês que fazem meu esforço nesse blog valer a pena. Saber que o Aprendiz serve de inspiração e fonte de ajuda para leitores e escritores é revigorante! Sério.
Sejam todas muito bem vindas!
Ufa! Obrigado a todos pelos comentáriose pela presença! Retomamos 2010 com o blog movimentado!
Obrigado pelo conselho, eu estava precisando né?
Agora o que me diz de eu também criar um blog e escrever algumas pequenas histórias nele? Talvez isso me ajude a praticar, e receber criticas!
Sempre ajuda a crescer.
Gostei do seu canto, meu caro. Espero que continue fazendo o que já faz. Anexei seu site ao meu blog e deixarei uma comunidade no Orkut para aqueles que desejam mais informações sobre ser escritor.
Eu tenho apenas 13 anos e já escrevo um saga estou escrevendo o primeiro ainda e acredito que neste anos de 2010 eu termine e publique-o. Sou digamos um tanto louco por histórias catastróficas. Para meu espanto, quando percebi o que realmente estava escrevendo me arrepiei todo.
Jaquialine,
Acho uma ótima idéia! Inclusive esse blog nasceu com essa mesma proposta, há mais de dois anos atrás. Embora eu ainda não tenha dominado a disciplina (e a coragem) para postar aqui todos os meus exercícios, não há dúvida que o blog é uma ferramenta constante pro meu desenvolvimento literário (e, porque não, tecnológico tb!).
Assim que vc criar o seu, não esqueça de me escrever indicando o link hein! Boa sorte!
Vincent,
Olá e seja bem vindo ao Aprendiz! Já estou participando da comunidade. Parabéns pela iniciativa, nosso país precisa mesmo de mais gente divulgando a leitura e, considerando que o Orkut é a rede mais popular por aqui, você escolheu a rede certa.
Kassio,
Escrevendo desde pitico você vai chegar na minha idade uma fera! Não se arrepie por gostar das histórias de cataclismas, esse gênero se chama distopia e tem muitos adeptos. Serve pra mostrar o quanto o que nós temos (por pior que seja) é bom e merece ser preservado! Catástrofes á parte, suia carreira tem tudo pra ser um sucesso! Continuen escrevendo.
Não sou escritora, mas pretendo ser. Parece tão dificil alguém se interessar pela minha escrita. Eu tenho uma dúvida: como fazer para chegar no nome ideal de um livro?
Elaine,
Sobre ninguém se interessar pela sua escrita, bom, isso é uma pena. É tudo uma questão de dedicação, empenho e muito estudo. Ah e leia muito, e sempre! Quanto mais (e melhor) você ler, mais interessante seu texto vai ficar e mais leitores você vai angariar.
Sobre sua dúvida sobre títulos para livros, o primeiro passo é escrever o livro. O título vai sair naturalmente enquanto você estiver fazendo isso.
Queria dizer que eu adorei esse post de verdade. Esclareceu muitas dúvidas que eu tinha quanto a minha vontade de escrever. Estou no 2º ano médio e ainda não tenho ideia de qual faculdade fazer, o que é realmente assombroso para mim. Gosto bastante de escrever, tenho algumas histórias aqui pré-prontas (isso existe?) e muitas que não foram finalizadas, pois como o seu próprio professor lhe disse: “parar de escrever uma historia é muito fácil, obstáculos não faltam, o difícil mesmo é terminá-la” e isso realmente acontece comigo.
Lógico que eu queria seguir uma carreira de escritor e talz, mas não me sinto tão à vontade com a leitura assim, e em consequência acho que meu vocabulário é um lixo. As pessoas me dizem para ler o que eu gosto, que achando um livro certo para mim eu ia conseguir lê-lo num piscar de olhos, mas isso só aconteceu comigo uma vez! Contudo, eu sinto essa vontade de escrever…
Só queria dizer que valeu pelo post, me ajudou bastante. Agora penso na possibilidade de fazer jornalismo, quem sabe eu possa me identificar com isso?
Abraços!
PS.: Eu achava que eu era o único que tinha vergonha de escutar a própria voz
Ricardo,
As leitura não está só nos livros. Games, gibis, cinema são exemplos de novos jeitos de contar histórias. Ás vezes, seu dom de contador de histórias não mora na literatura e sim em outra arte, como o desenho, a pintura, o cinema, os quadrinhos e até nos games.
Pense nisso!
Muito bem Bruno.
Você está certíssimo.
Eu escolhi a difícil carreira de ser contista.
Abraços.
Manoel