2012: A Profecia Maia & O Futuro do Aprendiz de Escritor

O título é apocalíptico, mas esse post tem tanta notícia boa que chega a me dar coceira no nariz de tanta alegria.

Semana passada, divulguei aqui minha estréia como palestrante no II FECON. Lá, sucedi um dos cabeças do movimento cyberpunk, liderando junto ao meu guru Nelson de Oliveira um debate sobre as tendências da arte e do mercado de literatura capitaneado por Claudio Brites. Tudo isso dentro de uma das maiores universidades brasileiras, então é lógico que a palestra estava cheia — salas de engenharia à jornalismo, de bichos à veteranos. Lógico que, de tão nervoso que eu estava, passei mal durante o dia e até choveu no caminho pra lá.

Felizmente foi um sucesso danado. A platéia se deixou seduzir pela nossa tentativa de espetáculo. Riram e choraram conosco. Verdade! Veja os fotos no Facebook! Oramos junto ao guru agradecendo os mistérios descobertos nos últimos dois séculos — coisas simples, da anestesia à lâmpada incandescente — e nos entregamos ao atrevimento de mergulhar no portal que separa o abismo do “daqui a pouco” da nebulosa sideral que é o “felizes para sempre”.

Falamos do Storytelling (o nome chique da velha história em torno da fogueira), decupamos a Transmídia (aquela coisa da história que não cabe num só livro, filme ou jogo) e finalmente, do Gamification — tese essa sobre a qual eu já gozo de quase duas décadas de experiência, de Enduro à God of War III. Se você não estava lá, acompanhe os slides e tente farejar um pouco daquilo no que nos lambuzamos por lá.

O fato é que não há como reproduzir o que houve ali. Aconteceu um milagre naquela sala. Se há um Espírito Santo, ele estava ali entre nós, comendo pipoca e dando risada conosco. Satisfeito com as veredas que se insinuam adiante dos Aprendizes de Escritor e de suas insatisfeitas platéias de Millenials — sonhadoes utópicos, anarquistas digitais, otimistas fragmentados — protestando com um desinteresse ensurdecedor diante do chiste que farejam nos livros de ontem, no cinema de hoje, nos games de amanhã e no mercado de sempre.

A vaia é a deixa que todo Aprendiz precisa

Haverá um 2012 de catástrofes perfeitas, afinal a melhor coisa que pode acontecer para um Aprediz de Escritor — ou de Cineasta, de Dramaturgo, de Roteirista e, até ousando — a melhor coisa para um Aprendiz de Artista é uma platéia insatisfeita. Significa que a hora de vasculhar os cérebros desse público chegou ao fim. Significa que a era de rastejar pela cochia acabou. Chega de conferir e costurar plumas e paetés no desfile dos mestres. É hora de arregaçar as mangas e subir no palco com um salto mortal. E não se trata de um salto mortal qualquer. O bom aprendiz sabe que o salto certo é aquele que seu mestre lhe ensinou desde sempre, mas que atualmente é incapaz de realizar por motivos espírito-fisio-filosóficos, por óbvias razões espaço-temporais.

No seu romance O Sol se Põe em São Paulo, Bernardo de Carvalho deixa bem claro: “Os melhores escritores são aqueles que nunca escreveram nada.

Não há o que questionar.

Não se pode ser isso duas vezes na mesma encarnação. Não há melhor liberdade para o artista. Não há melhor expetativa para público. A estréia é a virgindade artística. Tesão puro.

Um sonho e dois caprichos

A profecia de 2012 envolve a realização de um dos meus maiores sonhos.

Sim, eu tenho vários (e você, se não já tem, também deveria conjugar esse verbo no plural), mas estamos falando desse que é ver um livro só meu ser publicado em larga escala. Nesse sonho, estão implícitos dois caprichos: que a editora fosse mais comprometida com os desígnios da boa literatura do que com o apetite do deus-mercado e que eu não tivesse que colocar a mão no meu bolso para garantir minha primeira publicação integral.

Assim, vendo profissionais do livro, experts em boa literatura, gastando um dinheirão pra transformar apenas e tão somente as minhas maluquices literárias num produto comercializável, bom, aí eu teria certeza que há mais gente tão insana quanto eu desse lado da via láctea e que talvez eu esteja certo quanto ao meu destino nesse planeta. Eu teria um sopro de esperança de que, com uma acrobacia bem dada, eu tenho alguma chance de domar os jabutis que espreitam na vastidão sideral da literatura. Ou de seduzi-los. Se esse produto vender bem então… Nossa!

Bom, mas vender é outra história.  Para isso eu estou mais do que disposto a ajudar os malucos profissionais que me adotaram.

Sim, você lerá um livro meu no ano que vem

Em resumo é isso. Eu já gritei e esperneei como um colegial por aqui quando estreei com um conto para vocês então vou popá-lo dessa vez. Além do mais, agora eu acho que já tenho mais noção da responsabilidade que é essa coisa toda, a tal da estréia, essa virgindade.

Logicamente, isso provavelmente explica o meu sumiço aqui pelo blog nas semanas que se passaram. Sobre isso, conversaremos sério depois. Sei que não posso sumir das suas vistas assim, em pleno mês de NaNoWriMo e chegar reaparecendo com essa cara lisa, sem dar maiores explicações. Que dirá depois da bela postagem que fiz ano passado, que, modéstia à parte, ficou bem legal, lembra? Não? Lê lá.

Sem o novembro passado e tudo que eu escrevi por lá, nem sei o que seria da minha publicação em novembro do ano que vem. Nem sei se seria.

Tolices à parte, ainda tenho mais uma ótima notícia antes de ir embora.

E não é só isso que faremos juntos em 2012

Se meu ano passado foi de Aprendiz, o próximo será de Mestre! Além do livro, fui convidado a ministrar um dos módulos no curso de Prática de Criação Literária lá da Terracota: Literatura Multimídia. A oficina será um passeio com paradas obrigatórias por essa coisa de storytelling, transmídia, gamification, redes sociais, blogs, twitters, celulares e outros suportes que estão se ajoelhando diante da velha arte de colocar uma palavra depois da outra.

É, a coisa foi boa mesmo lá na palestra.

Lógico que eu vou manter você informado sobre as duas coisas — o livro e o curso. Fica tranquilo.

Entretanto, quero terminar repetindo um agradecimento que digitei com lágrimas nos dedos no ano passado, logo depois da noite de lançamento daquele conto que falei ali em cimai

Namastê

Namastê a esses que se repetem num palpitar vital à minhas letras e a todos os que eu (re)descobri de lá pra cá — Tales (o eterno gafanhoto), Dani (a curadora do cotidiano), Mari (que me fez reacreditar em publicidade do bem), Pedro (o bardo que voltou e já se foi de novo) e Teylor (que era mesmo o D’artagnan, só que jedi).

Do jeito que a coisa vai, vou precisar de um outdoor para os agradecimentos do livro, no ano que vem.

Dá pra entender porque muito autor sintetiza tudo agradecendo a Deus, mas não… Eu não.

Adoro dar nome aos Deuses. O que é ser escritor afinal.

Estou ficando sentimental. Já chega.

Um comentário sobre “2012: A Profecia Maia & O Futuro do Aprendiz de Escritor

  1. Muito, muito bom! Estava mesmo sentindo falta do seu blog. Entrava e nada tinha mudado… Nossa! Hoje tudo mudou mesmo!
    Parabéns pelas novidades. Continua te visitando e esperando sempre mais novidades. Beijos.

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