Sobre Andorinhas & Galos (uma lição que a blogosfera ensina)

Tecendo a manhã

Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.

João Cabral de Melo Neto

3 comentários sobre “Sobre Andorinhas & Galos (uma lição que a blogosfera ensina)

  1. Belo poema… Mas quem tece a manhã é o sol. Precisamos de um sol na blogosfera, alguém que independa de galos para iluminar o mundo…

    Abs

  2. Brontossauro,
    Acho que parte do barato da blogosfera é justamente a quebra desse “pensamento heliocêntrico” no universo virtual: é não ser escravo do sol pra ter manhã!

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