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Sobre Andorinhas & Galos (uma lição que a blogosfera ensina)

abril6

Tecendo a manhã

Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.

— João Cabral de Melo Neto

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3 Comentários sobre

Sobre Andorinhas & Galos (uma lição que a blogosfera ensina)

  1. Em 6 de abril de 2009 ás 11:17 pm Brontops disse:

    Belo poema… Mas quem tece a manhã é o sol. Precisamos de um sol na blogosfera, alguém que independa de galos para iluminar o mundo…

    Abs

  2. Em 7 de abril de 2009 ás 6:22 pm Bruno Cobbi disse:

    Brontossauro,
    Acho que parte do barato da blogosfera é justamente a quebra desse “pensamento heliocêntrico” no universo virtual: é não ser escravo do sol pra ter manhã!

  3. Em 8 de abril de 2009 ás 10:46 am Pocb disse:

    concordo com o Brontops.

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