Todos os posts de Bruno Cobbi

[Perguntas & Respostas] Dá pra começar pela crônica?

A pergunta de hoje veio da Silvia, nos comentários da última postagem dessa série:

Leio de tudo mas gosto mesmo é de crônicas… Dá pra começar por aí? Poderia indicar alguns autores “obrigatórios” que seguem esse estilo literário ou que ajudariam um pretenso autor? Agradeço imensamente!

Oi Silvia.

Dá sim. Na verdade, acredito que hoje em dia isso seja mais comum do que você imagina.

Explico.

Atualmente, a crônica privilegia o jornalismo e sugere um gênero chamado pela crítica literária de “não-ficção”. Esse gênero vem sendo revolucionado pela explosão dos blogs e redes sociais que, nas duas últimas décadas, têm formado inúmeros escritores e leitores. Ou seja, como muita gente começa suas leituras e escritas espontâneas através desses canais,  tem muita carreira literária começando pela crônica.

Adorei sua pergunta porque você já se prontificou a pesquisar o tema antes de sair escrevendo. Eu sempre digo que é preciso ler, no mínimo, o triplo do que se escreve. Aí, pra retribuir caprichando ainda mais na sua resposta, chamei uma amiga que é especialista nesse gênero pra responder sua pergunta.

Com a palavra, a jornalista Nanete Neves.

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10 Clichês para afundar sua história na mesmice

Cansado de recusar originais que não tinham nada de originais, Rob W. Hart, um autor e editor norte americano, escreveu os 10 clichês narrativos devem parar de ser usados. O Tio Nitro traduziu e resumiu bem, mas o artigo completo explica: 1) por que é tão fácil cair nessas armadilhas, e 2) quais os principais motivos delas estarem tão por fora.

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Luiz Ruffato vende a língua

O Luiz explica com fluidez e eloquência a opinião que eu sempre engasgo em manifestar quando surge o assunto “escrever por dinheiro” num papo entre escritores.

Literatura é sim um produto. Entretanto, vale destacar que literatura não é apenas um produto.

Quando eu ajudei meu editor a entender isso, nossa relação melhorou demais. Melhorou tanto que hoje eu não só presto consultoria como assessor de marketing, vendas e produto para a Terracota como fui contratado como editor-assistente.

Boa sorte pra nós! 😀

[Perguntas & Respostas] Conto ou Romance: por onde eu começo a escrever?

Hoje a pergunta veio pelo Facebook do Aprendiz, do Thiago:

A questão é a seguinte, eu adoro literatura, desde Guimarães Rosa, Charles Dickens e Machado de Assis até Stephen King, Terry Pratchett e Tom Clancy (também leio Harry Potter sem dó). Sou apaixonado por boas estórias e enredos.
Eu também adoro criar, então, vira e mexe me dá uns comichões de querer escrever alguma coisa… fico pensando se escrever contos é um bom começo. O que vc me diz?

Oi Thiago.

O passo mais importante você já executa: lê bastante. Isso é ótimo. prova disso é o português do teu comentário. Uma pergunta bem construída com palavras legais e referências bacanas. Dá pra sentir até a sua postura no texto.

Nessa etapa inicial onde estamos apenas projetando idéias — chamada de concepção — o mais importante é apenas produzir.

Não “pense” em escrever conto, romance, poesia nem nada disso. Vai te limitar.

Só escreva. Depois é depois.

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22 Regras Narrativas da Pixar

A Emma Coats trabalhou na Pixar — o estúdio de animação favorito de 11 entre cada 10 Aprendizes de Escritor. Aí ela twittou 22 regras valiosas que aprendeu durante seu tempo no estúdio de animação.

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Eu sei, faz quase um ano já — eu jurava que tinha postado aqui! Só que não. E são exercícios incríveis para quem se interessa em contar histórias ou escrever roteiros.
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Trabalhe seu romance em oito etapas

Mês passado eu divulguei uma oficina de contos que o Marcelino Freire está ministrando lá Programa de Criação Literária e algumas pessoas me escreveram agradecendo, todos elogiando muito. Fiquei orgulhoso em fazer a ponte. Já fui oficineiro do Marcelino e pouca gente tem o jeito que ele tem para colocar as letras da gente pra fora.

Esse mês, a proposta do Programa de Criação Literária é tirar aquele seu projeto de livro da gaveta e levá-lo para oito encontros ao lado de André de Leones, ganhador do prêmio SESC, colaborador dos jornais O Estado de São Paulo, Rascunho e Jornal do Brasil e escritor com seu quinto livro em lançamento: Terra de Casas Vazias, pela Rocco, um “road book” escrito numa temporada do autor em Israel.

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O André também posta no vicentemiguel, é um dos criadores do Histórias possíveis e colabora no Escritoras suicidas.

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“NÃO ESCREVA BONITO” por Marcelino Freire

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Escrever bonito é uma merda. Não queira esse elogio de ninguém. Loa tipo essa: você escreve tão bem. Você nos toca. Ave nossa! Fuja dessa mentira. Dessa falácia! Não procure palavras gloriosas. Maquiagens pesadas. Botox nas frases. Bom é verbo velho. Enrugado. O peso exato de cada parágrafo. Nem mais nem menos. Fique longe, sempre digo, de qualquer sentimento. Releia, agorinha, aquele seu conto. Ponto por ponto. Se, aqui e ali, você parar a leitura para suspirar. Jogue fora o suspiro. Tudo que for adjetivo elevado. Enganoso. Xô, ao lixo! Não presta para a poesia o que é cerimonioso. Solene. Também não invente termos acadêmicos. Gregos pensamentos. Arrodeios na língua. Lembre-se: todo livro nasce falido. Raquítico. Você critica tanto o discurso político. E faz o mesmo na hora de escrever. Usa gravata para parecer ser. E não fica sendo, nem um tiquinho, parecido com você. Esta pobre imagem que avistaremos no espelho. Antes de morrer. Nosso! Faz tempo que eu não falava assim tão bonito. Que merda! Pode crer.

— do blog Ossos do Ofídio

(A oficina dele começa amanhã. Não vacila.)