<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Aprendiz de Escritor &#187; Ficção Cotidiana</title>
	<atom:link href="http://aprendizdeescritor.com.br/category/ficcao-cotidiana/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://aprendizdeescritor.com.br</link>
	<description>Aqui, eu posto os meus exercícios — trechos da ficção que eu tanto gosto de escrever — e os meus ensaios, crônicas, artigos, dicas de eventos, de livros, de filmes e tudo o que eu acho pertinente a esse mundo no qual eu estou entrando agora: o de escritor.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 01 Jul 2010 21:10:23 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-br</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.0</generator>
		<item>
		<title>Receita: Ensopado de Saudades</title>
		<link>http://aprendizdeescritor.com.br/receita-ensopado-de-saudades/</link>
		<comments>http://aprendizdeescritor.com.br/receita-ensopado-de-saudades/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 24 Aug 2009 19:09:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Cobbi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção Cotidiana]]></category>
		<category><![CDATA["Era uma vez..."]]></category>
		<category><![CDATA[Alexandra Telles]]></category>
		<category><![CDATA[Bruno Cobbi]]></category>
		<category><![CDATA[Ensopado de Saudades]]></category>
		<category><![CDATA[mestre-cuca]]></category>
		<category><![CDATA[receita]]></category>
		<category><![CDATA[remédio]]></category>
		<category><![CDATA[saudades]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://aprendizdeescritor.com.br/?p=1179</guid>
		<description><![CDATA[Era uma vez um aprendiz de escritor triste e sem inspiração porque sua namorada ia viajar a trabalho, e ficar fora a semana toda. Para ajudar o jovem parceiro a domar as saudades, a bela garota armazenou uma boa cota de companhia, carinho e meiguice durante todo o final de semana. Ela também deu ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Era uma vez um aprendiz de escritor triste e sem inspiração porque sua namorada ia viajar a trabalho, e ficar fora a semana toda. </p>
<p>Para ajudar o jovem parceiro a domar as saudades, a bela garota armazenou uma boa cota de companhia, carinho e meiguice durante todo o final de semana. Ela também deu ao namorado algumas dicas de culinária e, para os momentos de saudade-emergência, também o ensinou a operar a velha cafeteira azul.</p>
<p>Despediram-se, e o aparelho fez hora extra desde então.</p>
<p>Logo no primeiro dia, sobrara um aprendiz de escritor que, com o passar das horas, além de solitário ficara esfomeado. Então ele trocou a caneta-teclado pelo chapéu de balão, as letras nebulosas por temperos coloridos e o silêncio e o conforto do escritório-quarto pelo barulho das panelas e o frio dos azulejos na cozinha.</p>
<p>O resultado? <span id="more-1179"></span></p>
<blockquote>
<h3>Ensopado de Saudades</h3>
<p><strong>Ingredientes</strong></p>
<ul>
<li>As metades restantes do pacote de salsichas e do pote de molho que eles cozinharam juntos no domingo;</li>
<li>Meia-xícara daquela cebola picadinha que ela odeia cortar, mas que sempre dá um jeitinho de convencê-lo a fazer em seu lugar;</li>
<li>Uma colherada bem cheia das azeitonas recheadas com tomatinho que ela adora (cujo pote ele sempre deixa aberto para ela ir beliscando enquanto eles cozinham juntos);</li>
<li>Uma xícara do molho de churrasco que ela sabe que ele gosta e nunca deixa faltar na geladeira;</li>
<li>Uma colher de mostarda, molho inglês e todos os temperos picantes que ele adora e, aos pouquinhos, ela está aprendendo a gostar também;</li>
<li>Uma pitada de alecrim e manjericão (os preferidos dela);</li>
<li>Uma pitada de pimenta e parmesão (os preferidos dele);</li>
<li>E um pouquinho dágua (de preferência da torneira mesmo, pegando daquele jeito dele que sempre acaba despertando uma bronca dela).</li>
</ul>
</blockquote>
<blockquote><p>
Misture tudo numa panela — de teflon como ela mandou, pois conhece o avoado que tem em casa — e deixe o molho engrossar. Mexa de vez em quando e quase chegue a ouvi-la ensinar como se deve manter tudo em movimento para os sabores se transformarem. </p>
<p>Tampe um pouco. Enquanto o molho apura, aproveite para lavar a louça tirando as risadas do café da manhã que sobraram dentro das xícaras coloridas e as migalhas de cuidado e dedicação dos pratos que ele preparou bancando o especialista em sanduíches. No terceiro suspiro, pode destampar e abaixar o fogo. Esquente o arroz branquinho que ela deixou pronto na geladeira e sirva tudo junto, numa porção cheirosa e colorida.</p></blockquote>
<blockquote><p>A sugestão do chef é ignorar os sentidos mundanos e saborear com atenção as emoções que esse prato desperta na alma. Concentre-se nos sorrisos e afagos, conduza sua refeição com energia e luz. O amargo da saudade ganhará um tom saboroso e encorpado que, além de ajudar na digestão, despertará sensações que, sem a companhia dela, ele não sentiria nem no restaurante mais caro da cidade.</p>
<p>Quando estiver satisfeito, faça uma jarra cheia de café perfumado do jeito que ela ensinou e sirva-se durante todo o resto da tarde, na caneca dela, se possível. A cada gole, lembre-se de um dos olhares luminosos, abraços apertados ou beijos roubados por trás do monitor. Não deixe esfriar, mas tome goles pequenos: os grandes podem aguçar muito o amargo da ausência dela. Se souber quando e como beber, terá um remédio contra saudades para toda a semana. E será feliz para sempre.</p></blockquote>
<p>Receita simples né? Uma dica? Apurando o paladar, a beberagem também serve para curar a falta de inspiração! Aliás, com licença. A cafeteira está apitando. <img src='http://aprendizdeescritor.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' /> </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://aprendizdeescritor.com.br/receita-ensopado-de-saudades/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>&#8220;O Mangusto&#8221; por Aleister Crowley</title>
		<link>http://aprendizdeescritor.com.br/mangusto/</link>
		<comments>http://aprendizdeescritor.com.br/mangusto/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 11 Nov 2008 15:48:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Cobbi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção Cotidiana]]></category>
		<category><![CDATA[Alesteir Crowley]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia de Calçada]]></category>
		<category><![CDATA[mangusto]]></category>
		<category><![CDATA[Sávio]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://aprendizdeescritor.com.br/?p=396</guid>
		<description><![CDATA[Havia estes dois homens, compartilhando um vagão de um trem. Eles não se conheciam. Apenas estavam viajando juntos. Um dos homens tinha, sobre seu colo, uma caixa de papelão com furos feitos na tampa. Depois de algum tempo gasto em observar o que poderia estar dentro da caixa de seu companheiro de viagem, o outro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Havia estes dois homens, compartilhando um vagão de um trem. Eles não se conheciam. Apenas estavam viajando juntos. Um dos homens tinha, sobre seu colo, uma caixa de papelão com furos feitos na tampa.</p>
<p>Depois de algum tempo gasto em observar o que poderia estar dentro da caixa de seu companheiro de viagem, o outro homem finalmente não pôde conter sua curiosidade. Ele perguntou:</p>
<p>— Perdoe-me, mas não pude não perceber sua caixa. Ela contém alguma espécie de animal?</p>
<p><span id="more-396"></span></p>
<p>O outro homem, apesar de obviamente surpreso por esta intromissão impertinente de um estranho, sorriu educadamente ao responder:</p>
<p>— Você está absolutamente certo. Realmente há uma criatura guardada nesta caixa. E ademais, posso contar, o animal em questão é um mangusto.</p>
<p>O primeiro homem, que iniciara o inquérito, ficou espantado pela revelação. Balbuciando com surpresa, procurou por maiores explicações acerca desta revelação certamente provocadora feita por seu estranho companheiro de viagem.</p>
<p>— Um mangusto? Senhor, devo confessar que tinha esperado um gato, ou coelho, não um animal tão exótico e diferente. O animal a que você se refere desperta tanto minha curiosidade que devo implorar-lhe, senhor, que me conte mais. O que o senhor deseja com este espécime, se posso ser tão ousado?</p>
<p>O outro homem, que sentava com a caixa perfurada sobre o colo, encolheu os ombros aborrecidamente quando respondeu:</p>
<p>— Bem, é uma questão um tanto pessoal, visto que diz respeito a uma tragédia familiar. No entanto, uma vez que acredito poder confiar em sua discrição, suponho que não me importo em compartilhar meu conto infeliz com você.</p>
<p>“Veja bem”, o homem continuou, “esta triste história diz respeito a meu irmão mais velho. Ele sempre foi aquilo a que acredito que você poderia se referir como a ovelha negra da família. Por muitos anos, ele se entregou a uma série de vícios previsível e rotineira, dos quais o pior era seu gosto por bebidas fortes. Seu alcoolismo progrediu até que ele agora se encontra nos estágios finais de <em>delirium tremens</em>. Meu irmão agora vê serpentes por todo lado, e esta é a razão por que lhe estou levando este mangusto, para que possa dar cabo delas”.</p>
<p>— Desculpe-me — o outro homem interrompeu, parecendo confuso. — Mas, essas cobras que seu irmão vê… Não são cobras imaginárias?</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://inatitude.wordpress.com/2007/11/05/o-pequeno-principe-capitulo-ii/" target="_blank"><img class="alignnone size-full wp-image-397" title="Conhece isso de algum lugar?" src="http://aprendizdeescritor.com.br/wp-content/uploads/2008/11/lepetitprince_box.jpg" alt="" width="172" height="83" /></a></p>
<p>— Deveras — seu companheiro de viagem respondeu. — Mas este — e aqui ele gesticulou de forma significativa para a caixa perfurada sobre seu colo, — este é um mangusto imaginário.</p>
<p><small>Tradução por Sávio, do blog <a href="http://filosofiasdecalcada.wordpress.com/2008/09/11/o-mangusto/" target="_blank">Filosofia de Calcada</a>.</small></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://aprendizdeescritor.com.br/mangusto/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>9</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Biquíni Branco (v 1.0)</title>
		<link>http://aprendizdeescritor.com.br/biquini-branco-v-10/</link>
		<comments>http://aprendizdeescritor.com.br/biquini-branco-v-10/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 03 Jun 2008 10:24:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Cobbi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção Cotidiana]]></category>
		<category><![CDATA[Beto]]></category>
		<category><![CDATA[Bia]]></category>
		<category><![CDATA[iPod]]></category>
		<category><![CDATA[Praia da Joaquina]]></category>
		<category><![CDATA[Tate]]></category>
		<category><![CDATA[Tiesto]]></category>
		<category><![CDATA[Toni]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://aprendizdeescritor.com.br/?p=35</guid>
		<description><![CDATA[E lá estava eu, moreníssima, deitada me bronzeando na areia cheirosa da Praia da Joaquina. Torrando no sol gostoso da manhã de Florianópolis. Sol, maresia, férias merecidas. Um assoviozinho aqui, outro elogiozinho ali, mas nenhum olhar deixava de percorrer meu bronzeado por alguns instantes (ás vezes bem longos). A canga era transparente, mas pus a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E lá estava eu, moreníssima, deitada me bronzeando na areia cheirosa da Praia da Joaquina. Torrando no sol gostoso da manhã de Florianópolis. Sol, maresia, férias merecidas.</p>
<p>Um assoviozinho aqui, outro elogiozinho ali, mas nenhum olhar deixava de percorrer meu bronzeado por alguns instantes (ás vezes bem longos). A canga era transparente, mas pus a culpa no biquíni branco que resolvi debutar aqui, na viagem pro sul.</p>
<p><span id="more-35"></span></p>
<p>A estréia dele foi um fracasso, com direito a escândalo do ex e tudo. Fio dental, óbvio. O Beto tinha dado aquele vexame e agora eu estava começando a achar que entendia o pobre coitado. Mantive a tanga minúscula guardada na gaveta até mesmo depois que terminei com ele, no mês passado. Quando recebi a notícia que a companhia tinha aceitado meu pedido de férias, o biquíni foi pra mala na hora! Não sei o que me deu. Enquanto me ajudava a escolher as roupas pra viagem, a Bia  encontrou por acaso a calcinha na minha mala. Ela sacudiu aquilo na ponta dos dedos em tom de mãe que vem tirar satisfação com a filha travessa e falou “Tate, você é uma vaca mesmo, hein!?!”. Nos rachamos de dar risadas.</p>
<p>Antes de sair do hotel, quando me olhei de costas no espelho, entendi que eu devia ser uma vaca mesmo. Com os fundilhos enfiados bem lá dentro, minha bunda ficava ainda mais chamativa do que de costume. Curvas perfeitas e todas de fora. “Preferência nacional” como dizia o Beto. O branco brilhante do poliéster contrastava forte com o dourado da minha pele e eu me senti realmente “poderosa”. Quase escutei a Bia dizendo naquele sotaque arrastado do interior que ela tem “Viu?! Uma biscate das braba!”. Dei risada sozinha. Amarrei a canga e saí rebolando saguão afora.</p>
<p>A praia era tão perto que se eu tropeçasse na escada do hotel já caía deitada na areia. Mesmo assim, o trajeto foi tempo suficiente pra eu perceber que a platéia estava gostando. Primeiro foi o taxista na porta do hotel que parou a conversa sobre o jogo de futebol da noite anterior quando eu passei (pareceu inevitável pra ele). O vendedor de amendoins tropeçou e quase caiu de boca na areia. Depois foram os dois surfistas — um deles até levantou os óculos escuros pra que eu visse direitinho pra onde ele estava olhando e de onde vinham os sorrisos e comentários que eles trocaram entre si. Quando eu abaixei pra estender a canga, a esposa do babaca no guarda-sol do lado deu três tapas tão ardidos no braço dele que eu ouvi de longe. Homem é tudo igual mesmo.</p>
<p>Quando eu cheguei, ainda meio tímida, deitei com as costas na toalha. Depois fui me soltando e resolvi virar de bruços. Gerou o efeito esperado. Os olhares triplicaram e, uns dois tapas estralados depois, o casal do guarda sol vizinho foi embora da praia. Ela parecia bem nervosa. Com toda razão. Também, quem mandou não se cuidar querida? Ser “sarada” dá um trabalho danado, sabia?</p>
<p>Foi aí que ele chegou. Não o vi se aproximar e me assustei. Quando eu vi aquele negão enorme sentando do meu lado e dando um “bom dia, princesa”, eu quase cuspi meu coração na areia de susto. A voz era firme e sonora, meio gutural, mas gostei da abordagem. Depois de tanto “gostosa”, “tesão” e “filé”, a educação dele acabou me chamando a atenção e despertando minha curiosidade. Nada contra os braços musculosos, o abdome definido e a boca linda que ele trazia consigo, mas, no final das contas, foi a educação dele que me fez ter vontade de lhe dar alguns minutos da minha atenção ociosa.</p>
<p>“É Antônio, mas pode chamar de Toni”. O sotaque estava bem escondido pela voz atraente, mas eu num pude deixar de notar. Conversa vai, conversa vem e descobri que, embora não aparentasse, ele era quatro anos mais velho que eu (parece incrível como negros não demonstram idade), vinha de Feira de Santana e estava aqui no sul á trabalho. O papo foi divertido. Ele manteve os olhos nos meus e tinha o sorriso fácil. Toni era simpático e, de quebra, era bonito e gostoso. “Tate! Que tesão de homem!” escutei a Bia falar na minha cabeça. Óbvio que me interessei.</p>
<p>A hora voou e o papo terminou quando os amigos dele chamaram de longe pra jogar bola. Trocamos celulares sem nada combinado, mas acompanhei de longe os sorrisos e piadas dos amigos enquanto Toni se juntava a eles. Não me segurei e sorri detrás dos óculos escuros. Eles viram e apontaram na minha direção. Ele me olhou de longe e sorriu de volta.</p>
<p>Já era.</p>
<p>Coloquei Tiesto pra tocar bem alto no iPod e esqueci que estava de fio-dental. Eu era uma vaca mesmo. “Que pedaço de negão, hein amiga!”. Dei risada sozinha e deitei de novo pra me bronzear.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://aprendizdeescritor.com.br/biquini-branco-v-10/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
