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“NÃO ESCREVA BONITO” por Marcelino Freire

marcelino

Escrever bonito é uma merda. Não queira esse elogio de ninguém. Loa tipo essa: você escreve tão bem. Você nos toca. Ave nossa! Fuja dessa mentira. Dessa falácia! Não procure palavras gloriosas. Maquiagens pesadas. Botox nas frases. Bom é verbo velho. Enrugado. O peso exato de cada parágrafo. Nem mais nem menos. Fique longe, sempre digo, de qualquer sentimento. Releia, agorinha, aquele seu conto. Ponto por ponto. Se, aqui e ali, você parar a leitura para suspirar. Jogue fora o suspiro. Tudo que for adjetivo elevado. Enganoso. Xô, ao lixo! Não presta para a poesia o que é cerimonioso. Solene. Também não invente termos acadêmicos. Gregos pensamentos. Arrodeios na língua. Lembre-se: todo livro nasce falido. Raquítico. Você critica tanto o discurso político. E faz o mesmo na hora de escrever. Usa gravata para parecer ser. E não fica sendo, nem um tiquinho, parecido com você. Esta pobre imagem que avistaremos no espelho. Antes de morrer. Nosso! Faz tempo que eu não falava assim tão bonito. Que merda! Pode crer.

— do blog Ossos do Ofídio

(A oficina dele começa amanhã. Não vacila.)

8 Regras de Escrita do Mestre Gaiman

  1. Escreva.
  2. Coloque uma palavra depois da outra. Encontre a palavra certa, coloque-a ali.
  3. Termine o que está escrevendo. Independente do que for preciso para terminar, termine.
  4. Coloque de lado. Leia fingindo que nunca leu isso antes. Mostre para amigos cuja opinião você respeita e que gostem desse tipo de coisa.
  5. Lembre-se: quando as pessoas lhe dizem que algo está errado  ou que não funciona para elas, geralmente elas estão certas. Quando elas lhe dizem exatamente o que acham que está errado e como consertar, geralmente elas estão erradas.
  6. Conserte. Lembre-se, cedo ou tarde, antes de atingir a perfeição, você precisará deixar como está e seguir adiante, começando a escrever a próxima coisa. A perfeição é como perseguir o horizonte. Mantenha-se em movimento.
  7. Ria das suas próprias piadas.
  8. A principal regra  da escrita é que ao se escrever com segurança e confiança o bastante, você acaba autorizado a fazer o que quiser (isso também pode servir como regra para a vida, mas é definitivamente verdade na escrita). Portanto, escreva sua história como ela precisar ser escrita. Escreva-a honestamente, e conte-a da melhor forma que puder. Não estou certo que haja qualquer outra regra. Nenhuma que importe.

Via The Guardian

“Meu Ideal Seria Escrever…”

Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse — “ai meu Deus, que história mais engraçada!”. E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria — “mas essa história é mesmo muito engraçada!”.

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Use a imaginação…

Segundo estudos recentes:

Em pé, fortalece a coluna

De cabeça baixa, estimula a circulação do sangue.

De barriga para cima é mais prazeroso.

Sozinho, é estimulante, mas egoísta.

Em grupo, é complicado, mas pode até ser divertido.

No banho, pode ser arriscado.

No automóvel, é muito perigoso.

Entre duas pessoas, enriquece a relação.

De joelhos, o resultado pode ser doloroso.

E cima da mesa, no escritório, antes de comer ou depois da sobremesa, sobre a cama ou na rede, nús ou vestidos, sobre o sofá ou no tapete, com música ou em silêncio, entre lençóis ou na pia da cozinha, sempre é um ato de amor e enriquecimento.

Não importa a idade, nem a raça, nem a crença, nem o sexo, nem a posição socioeconômica…

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Claudio Brites, editor da Terracota, dá suas dicas aos Aprendizes de Escritor!

Escrevam. Deem acabamento para o que escrevem. Sigam suas intuições. Peçam opiniões para pessoas que entendem do assunto e, se puderem, paguem pela leitura de profissionais. Ou, ao menos, paguem um revisor antes de mandar às editoras. Estudem, leiam muito, mas muito mesmo, algo dos clássicos e muito dos contemporâneos. Leiam o mainstream, literatura de gênero, não ficção, livros de Biologia, sobre Política e pornografia. Leiam poemas, e não se cansem nos primeiros, é difícil alcança-los, mas vale a escalada. Façam oficinas literárias, mas não se viciem nelas! Criem grupos literários, com pessoas que leem umas as outras. E se livre deles quando achar que estão sendo condescendentes demais com o que você escreve. Não sejam cruéis demais consigo e nunca desistam, não pare no vigésimo não. Tente saber porque ele aconteceu e reescreva. Reescreva sempre. E tenha a coragem de deixar um projeto de lado por outro melhor. Pague para publicar, mas em editoras que tenham respeito pelo livro, por você, ou vá logo em uma gráfica digital, faça 5 dezenas de exemplares e vá distribuindo, enquanto as coisas não acontecem. Isso é uma forma de fazê-las acontecer. Hoje você pode cuidar de tudo sozinho, a editora ajuda, mas não é o único caminho. Cuidado para não ser saqueado, não deixe seu sonho virar compota cheia de bicho. Concorra a concursos literários, porque nunca se sabe… e tenha respeito pela palavra, é dela que tudo nasce na Literatura e se você não tiver respeito por ela, bem, ela pode se vingar de você.

Leia a entrevista completa aqui.

Poemillôr

Quando eu era bem menino
Tinha fadas no jardim
No porão um monstro albino
E uma bruxa bem ruim.

Cada lâmpada tinha um gênio
Que virava ano em milênio
E, coisa bem mais perversa,
Sapo em rei e vice-versa.

Tinha Ciclope,Centauro,
Autósito, Hidra e megera,
Fênix, Grifo, Minotauro,
Magia, pasmo e quimera.

Mas aí surgiram no horizonte
Além de Custer e seus confederados
A tecnologia mastodonte
Com tecnologistas bem safados
Esses homens da ciência me provaram
Que duendes, bruxas e omacéfalos
Eram produtos imbecis de meu encéfalo.
Nunca existiram e nunca existirão:
uma decepção!

— “Poemeu” por Millôr Fernander

10 Dicas do Drummond para um Aprendiz de Escritor

  1. Não acredite em originalidade, é claro. Mas não vá acreditar tampouco na banalidade, que é a originalidade de todo mundo.
  2. Não fique baboso se lhe disserem que seu novo livro é melhor que o anterior. Quer dizer que o anterior não era bom. Mas se disserem que seu livro é pior que o anterior, pode ser que falem verdade.
  3. Procure fazer com que seu talento não melindre o de seus companheiros. Todos têm direito à presunção de genialidade exclusiva.
  4. Aplique-se a não sofrer com o êxito de seu companheiro, admitindo embora que ele sofra com o de você. Por egoísmo, poupe-se qualquer espécie de sofrimento.
  5. Sua vaidade assume formas tão sutis que chega a confundir-se com modéstia. Faça um teste: proceda conscientemente como vaidoso, e verá como se sente à vontade.
  6. Opinião duradoura é a que se mantém válida por três meses. Não exija maior coerência dos outros nem se sinta obrigado intelectualmente a tanto.
  7. Procure não mentir, a não ser nos casos indicados pela polidez ou pela misericórdia. É arte que exige grande refinamento, e você será apanhado daqui a dez anos, se ficar famoso; se não ficar, não terá valido a pena.
  8. Se sentir propensão para o gang literário, instale-se no seio de uma geração e ataque. Não há polícia para esse gênero de atividade. O castigo são os companheiros e depois o tédio.
  9. Evite disputar prêmios literários. O pior que pode acontecer é você ganha-los, conferidos por juízes que o seu senso crítico jamais premiaria.
  10. Leia muito e esqueça o mais que puder. Só escreva quando de todo não puder deixar de fazê-lo. E sempre se pode deixar.

Trechos da crônica A um jovem, publicada em A bolsa e a vida de 1962. Vi no Laub.