setembro3
Eu aprendi a gostar de música clássica muito antes de saber as notas: a minha mãe tocava-as ao piano e elas ficaram gravadas na minha cabeça. Somente depois, já fascinado pela música, fui aprender as notas – porque queria tocar piano. A aprendizagem da música começa como percepção de uma totalidade – e nunca com o conhecimento das partes.
Isto é verdadeiro também sobre aprender a ler. Tudo começa quando a criança fica fascinada com as coisas maravilhosas que moram dentro do livro. Não são as letras, as sílabas e as palavras que fascinam. É a história.
— Rubem Alves, em O prazer da leitura.
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agosto28
O papel da fantasia é manter o desejo vivo (…)
— Contardo Calligaris, em entrevista à revista Veja
Subliteratura né? Sei. 
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agosto13
O que não é literatura para você?
Palavrórios gangrenados ou catatônicos. Verborragias inestancáveis. Mentiras mal disfarçadas. Em contraposição, o que é literatura? Uma forma de milagre, de magia, de encantamento.
— Nelson de Oliveira, em entrevista a Claudio Brites
Eu bem que desconfiava. Só podia ser um tipo de magia. 
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agosto10
O mercado, sempre em busca de um filão rentável, seria o grande vilão da literatura?
Não acredito que seja um problema criado pelo mercado. Na verdade, a literatura não escapa da síndrome da celebridade. Muitos autores buscam apenas celebrizarem-se como escritor, atendendo a um exercício de vaidade.
— Mario Sabino, em entrevista a Ubiratan Brasil Leia mais »
maio10
Mais uma do Mestre Eco — escritor, semiólogo italiano e um dos Merlins da Literatura — num texto que foi publicado pela Folha de São Paulo, no caderno Mais do dia 18 de Fevereiro de 2001 e já tinha passado por aqui antes, mas do qual achei pertinente destacar mais esse pedacinho:
A língua vai para onde quer, mas é sensível às sugestões da literatura. Sem Dante não teria existido um italiano unificado. (…)
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abril28
Os contos de fadas são assim. Uma manhã, a gente acorda e diz: ‘Era só um conto de fadas…’ E a gente sorri de si mesma. Mas no fundo, não estamos sorrindo. Sabemos muito bem que os contos de fadas são a única verdade da vida.
— Antoine de Saint-Exupéry
Esse eu roubei da Olga, minha “ídola” com pinta (ou seria “tinta”) de Neil Gaiman!
Quem dera eu tivesse tido professores de português como ela…
abril9
É uma escrita que não procura adornar-se. O português é uma língua muito afeta aos derramamentos verbais, às filigranas barrocas, à retórica…
Sim, ainda mais no Brasil, onde há a tradição do bacharelado de direito, da oratória jurídica e religiosa. E nisso me ajuda o fato de ser um estrangeiro, e de minha escrita ter a influência do inglês, uma língua que gosta de frases curtas e de uma certa clareza. Isso me dá uma grande liberdade ao escrever em português. (…) De qualquer forma, é um desafio e tanto tentar escrever um livro que se aproxime do grau zero de retórica na escrita.
— Contardo Calligaris em entrevista para a TOP Magazine #123