Aprendiz de Escritor

Uma letra de cada vez...

As vezes não é sobre entender, basta sentir

setembro3

Eu aprendi a gostar de música clássica muito antes de saber as notas: a minha mãe tocava-as ao piano e elas ficaram gravadas na minha cabeça. Somente depois, já fascinado pela música, fui aprender as notas – porque queria tocar piano. A aprendizagem da música começa como percepção de uma totalidade – e nunca com o conhecimento das partes.

Isto é verdadeiro também sobre aprender a ler. Tudo começa quando a criança fica fascinada com as coisas maravilhosas que moram dentro do livro. Não são as letras, as sílabas e as palavras que fascinam. É a história.

— Rubem Alves, em O prazer da leitura.

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Quem é que vive sem ele? Ou sem ela?

agosto28

O papel da fantasia é manter o desejo vivo (…)

Contardo Calligaris, em entrevista à revista Veja

Subliteratura né? Sei.

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5 Dicas jurássicas (e 1 escolha terrível) para escritores com bloqueio criativo

agosto28
  • Chico Buarque gosta de andar e arejar a cabeça.
  • Mark Millar lê a página de política.
  • Fernando Gonzalez coloca um despertador sobre a TV e a assiste normalmente, zapeando, Discovery, FX, Cartoon, Animal Planet, etc. Quando o relógio toca, ele anota a primeira coisa que vier à cabeça.

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“Lave-Letras”

agosto17

Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar.

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A Kind of Magic

agosto13

O que não é literatura para você?

Palavrórios gangrenados ou catatônicos. Verborragias inestancáveis. Mentiras mal disfarçadas. Em contraposição, o que é literatura? Uma forma de milagre, de magia, de encantamento.

— Nelson de Oliveira, em entrevista a Claudio Brites

Eu bem que desconfiava. Só podia ser um tipo de magia

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Mercado: O vilão literário?

agosto10

O mercado, sempre em busca de um filão rentável, seria o grande vilão da literatura?

Não acredito que seja um problema criado pelo mercado. Na verdade, a literatura não escapa da síndrome da celebridade. Muitos autores buscam apenas celebrizarem-se como escritor, atendendo a um exercício de vaidade.

— Mario Sabino, em entrevista a Ubiratan Brasil Leia mais »

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Eco, Dante vs. “Miguxês” e a famosa SSH¹

maio10

Mais uma do Mestre Eco — escritor, semiólogo italiano e um dos Merlins da Literatura — num texto que foi publicado pela Folha de São Paulo, no caderno Mais do dia 18 de Fevereiro de 2001 e já tinha passado por aqui antes, mas do qual achei pertinente destacar mais esse pedacinho:

A língua vai para onde quer, mas é sensível às sugestões da literatura. Sem Dante não teria existido um italiano unificado. (…)

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Realidade Fabulosa

abril28

Os contos de fadas são assim. Uma manhã, a gente acorda e diz: ‘Era só um conto de fadas…’ E a gente sorri de si mesma. Mas no fundo, não estamos sorrindo. Sabemos muito bem que os contos de fadas são a única verdade da vida.

Antoine de Saint-Exupéry

Esse eu roubei da Olga, minha “ídola” com pinta (ou seria “tinta”) de Neil Gaiman!

Quem dera eu tivesse tido professores de português como ela… :-)

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Partituras Literárias

abril23

Podemos fazer afirmações verdadeiras sobre personagens literários porque o que lhes acontece está registrado em um texto, e um texto é como uma partitura musical. É verdade que Anna Karenina se suicida, assim como é verdade que a “Quinta Sinfonia” de Beethoven foi escrita em dó menor (e não em fá maior, como a “Sexta”) e se inicia com “sol, sol, sol, mi bemol”. Mas certos personagens literários, não todos, acabam saindo do texto em que nasceram e migrando para uma região do universo muito difícil de delimitar.

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Contardo Calligaris vs. Retórica Tupiniquim

abril9

É uma escrita que não procura adornar-se. O português é uma língua muito afeta aos derramamentos verbais, às filigranas barrocas, à retórica…

Sim, ainda mais no Brasil, onde há a tradição do bacharelado de direito, da oratória jurídica e religiosa. E nisso me ajuda o fato de ser um estrangeiro, e de minha escrita ter a influência do inglês, uma língua que gosta de frases curtas e de uma certa clareza. Isso me dá uma grande liberdade ao escrever em português. (…) De qualquer forma, é um desafio e tanto tentar escrever um livro que se aproxime do grau zero de retórica na escrita.

Contardo Calligaris em entrevista para a TOP Magazine #123

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