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O Segredo revelado: Não escreva para ser publicado. Escreva para escrever.

“Você se preocupa demais com os resultados. Quer muito atingir a publicação. Posso sentir sua frustração e isso não está ajudando em nada. Você vai acabar deturpando demais o processo, escrevendo para audiências específicas ou buscando gêneros e histórias que estejam em alta. Você não deve escrever para ser publicado, isso seria como tentar atingir um alvo em movimento e a falta de paixão vai ficar evidente na sua voz. O processo é tudo — não importa no que você trabalha ou o que você faz na vida, ninguém controla os resultados. A sorte é sim um fator. Ame o processo e entregue-se a ele. Ele é a única coisa que você pode controlar, é a única coisa que vai contentá-lo e, adivinhe só, é a única coisa que pode trazer os resultados que você está buscando. Se e não estiver se contentando com o processo, confie em mim, ser publicado não vai preencher esse vazio. Não estou dizendo que sou apenas um cara de sorte, mas que eu amo o processo de escrever coisas e que o executei por tanto tempo que finalmente o trevo de quatro folhas apareceu, e aqui estou eu.”

Leia o (incrível) texto completo no Medium do autor.

Aprendiz de… TRANSFORMADOR DO MUNDO!!!

alan-moore

“Nos últimos tempos, creio que os artistas e escritores têm permitido serem vendidos, sendo levados pela maré. Aceitaram a crença dominante de que a arte e a escrita são apenas formas de entretenimento. Não são vistas como forças transformadoras que podem mudar um ser humano e uma sociedade. São vistas simplesmente como entretenimento, coisas com as quais podemos ocupar 20 minutos ou meia hora enquanto esperamos para morrer.”

Alan Moore, no documentário “A Paisagem mental de Alan Moore

A arte fenomenal é do incrível Matt Taylor.

Luiz Ruffato vende a língua

O Luiz explica com fluidez e eloquência a opinião que eu sempre engasgo em manifestar quando surge o assunto “escrever por dinheiro” num papo entre escritores.

Literatura é sim um produto. Entretanto, vale destacar que literatura não é apenas um produto.

Quando eu ajudei meu editor a entender isso, nossa relação melhorou demais. Melhorou tanto que hoje eu não só presto consultoria como assessor de marketing, vendas e produto para a Terracota como fui contratado como editor-assistente.

Boa sorte pra nós! 😀

Nosso umbigo é inútil depois do parto (mas mesmo assim ele continua lá)

No Brasil, literatura também é segunda profissão, ou hobby mesmo. Faça as contas: um autor ganha uns três reais por exemplar vendido, e as tiragens aqui raramente passam de 3.000 exemplares. Então, não importa muito sobre o que o escritor brasileiro vai escrever, e muito menos se vai escrever bem. Muito pouca gente vai ler. Dito isso, podemos fazer melhor. Escrever bem é técnica, e escrever divinamente é talento e suor, mas a prova dos nove é escrever sobre a realidade. A pesquisa de Regina explicita que o assunto da ficção brasileira é o umbigo do seu autor, um coroa diletante.

Esse comentário acima é do André Forastieri, um jornalista que bloga no R7. Ele foi feito em cima de uma pesquisa bem polêmica feita pela professora Regina Dalcastagnè sobre etnias, gêneros e profissões entre escritores contemporâneos e seus personagens. A pesquisa provocou reflexão. O comentário deu um panorama bem interessante do atual ressentimento que a indústria cultural está vivendo.

Entretanto, é um ponto de vista (e de reflexão) obrigatório para qualquer Aprendiz de Escritor. Será que esse predomínio branco, heterossexual, diplomado, cinquentão é tão alienado assim da realidade onde vivem nossos escritores? Será um retrato tão fiel ou infiel da nossa geração cultural? Será ele tão demoníaco? Faça suas preces, veja o infográfico lá no Tumblr e deixe seu comentário aqui embaixo.

Ah! Uma dica: não caia na armadilha de confundir o “escrever sobre a realidade” com literatura engajada, marginal ou qualquer coisa do tipo. Escrever sobre a realidade é escrever na realidade. Imerso nela, com e sem vendas nos olhos, com e sem máscaras diante dos demais. Ciente do torpor, mas inevitavelmente mergulhado nele.

Aprendiz de escritor tem que cursar letras?

Drummond fez Farmácia.

Guimarães fez Medicina.

Lygia Fagundes fez Direito.

Willian Falukner não tinha diploma do secundário.

Raduan Nassar cursou Direito e Filosofia.

Cicciolina fez Pornôs.

Para gostar de literatura é necessário uma dose de não-literatices.

Marcelo Maluf, por email.

À lista de contrastes, vale acrescentar o currículo da Bruna Surfistinha e, lógico, do Padre Marcelo.

Sem ironia.

Mesmo.

Dica gozada para aprendizes maiores de idade!

Direto de um bate papo por email com uma das criaturas literárias mais interessantes que eu conheço:

Adoro essas fórmulas [de escrita] que para pouco servem.

Eu trepo, trepo e, enquanto fumo meu cigarrinho pós, sempre tenho um caderninho perto para anotar as ideias que vêm com o gozo.

Gozado, né?

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“Bons leitores e bons escritores” por Vladimir Nabokov

“Uma noite, numa faculdade provincial distante na qual aconteceu de eu estar ministrando uma longa turnê de palestras, sugeri uma breve sabatina — ofereci dez definições sobre leitores, a partir das quais os alunos tinham que escolher quatro que se combinariam para formar um bom leitor. Acabei perdendo a lista, mas até onde me lembro foi algo assim.”

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