Aprendiz de Escritor

Uma letra de cada vez...

Luiz Ruffato vende a língua

abril30

O Luiz explica com fluidez e eloquência a opinião que eu sempre engasgo em manifestar quando surge o assunto “escrever por dinheiro” num papo entre escritores.

Literatura é sim um produto. Entretanto, vale destacar que literatura não é apenas um produto.

Quando eu ajudei meu editor a entender isso, nossa relação melhorou demais. Melhorou tanto que hoje eu não só presto consultoria como assessor de marketing, vendas e produto para a Terracota como fui contratado como editor-assistente.

Boa sorte pra nós! :D

Pare de procurar dicas

março26

nunca-pare-produzir-conteudo

Leiam, escrevam e parem de visitar blog a procura de dicas. “Não há almoço grátis”. Se querem o seu, trabalhem por ele.

— Albarus Andreos, num comentário aqui no blog mesmo

Postado como Citação | 3 Comentários

Nosso umbigo é inútil depois do parto (mas mesmo assim ele continua lá)

fevereiro21

No Brasil, literatura também é segunda profissão, ou hobby mesmo. Faça as contas: um autor ganha uns três reais por exemplar vendido, e as tiragens aqui raramente passam de 3.000 exemplares. Então, não importa muito sobre o que o escritor brasileiro vai escrever, e muito menos se vai escrever bem. Muito pouca gente vai ler. Dito isso, podemos fazer melhor. Escrever bem é técnica, e escrever divinamente é talento e suor, mas a prova dos nove é escrever sobre a realidade. A pesquisa de Regina explicita que o assunto da ficção brasileira é o umbigo do seu autor, um coroa diletante.

Esse comentário acima é do André Forastieri, um jornalista que bloga no R7. Ele foi feito em cima de uma pesquisa bem polêmica feita pela professora Regina Dalcastagnè sobre etnias, gêneros e profissões entre escritores contemporâneos e seus personagens. A pesquisa provocou reflexão. O comentário deu um panorama bem interessante do atual ressentimento que a indústria cultural está vivendo.

Entretanto, é um ponto de vista (e de reflexão) obrigatório para qualquer Aprendiz de Escritor. Será que esse predomínio branco, heterossexual, diplomado, cinquentão é tão alienado assim da realidade onde vivem nossos escritores? Será um retrato tão fiel ou infiel da nossa geração cultural? Será ele tão demoníaco? Faça suas preces, veja o infográfico lá no Tumblr e deixe seu comentário aqui embaixo.

Ah! Uma dica: não caia na armadilha de confundir o “escrever sobre a realidade” com literatura engajada, marginal ou qualquer coisa do tipo. Escrever sobre a realidade é escrever na realidade. Imerso nela, com e sem vendas nos olhos, com e sem máscaras diante dos demais. Ciente do torpor, mas inevitavelmente mergulhado nele.

Aprendiz de escritor tem que cursar letras?

outubro20

Drummond fez Farmácia.

Guimarães fez Medicina.

Lygia Fagundes fez Direito.

Willian Falukner não tinha diploma do secundário.

Raduan Nassar cursou Direito e Filosofia.

Cicciolina fez Pornôs.

Para gostar de literatura é necessário uma dose de não-literatices.

Marcelo Maluf, por email.

À lista de contrastes, vale acrescentar o currículo da Bruna Surfistinha e, lógico, do Padre Marcelo.

Sem ironia.

Mesmo.

Dica gozada para aprendizes maiores de idade!

agosto10

Direto de um bate papo por email com uma das criaturas literárias mais interessantes que eu conheço:

Adoro essas fórmulas [de escrita] que para pouco servem.

Eu trepo, trepo e, enquanto fumo meu cigarrinho pós, sempre tenho um caderninho perto para anotar as ideias que vêm com o gozo.

Gozado, né?

Leia mais »

“Bons leitores e bons escritores” por Vladimir Nabokov

julho18

“Uma noite, numa faculdade provincial distante na qual aconteceu de eu estar ministrando uma longa turnê de palestras, sugeri uma breve sabatina — ofereci dez definições sobre leitores, a partir das quais os alunos tinham que escolher quatro que se combinariam para formar um bom leitor. Acabei perdendo a lista, mas até onde me lembro foi algo assim.”

Leia mais »

Comece a escrever hoje

junho30

Tara Moss

Escreva. Comece a escrever hoje. Comece a escrever agora. Não escreva direito, apenas escreva — depois você vai corrigir. Permita-se a liberdade mental de desfrutar o processo, porque o processo da escrita é um processo longo. Desconfie de “regras de escrita” e conselhos literários. Faça do seu jeito.

— Dica preciosa de ninguém menos que a deliciosa Tara Moss, escritora de bestsellers criminais internacionais, palestrante e top model. Peguei lá no Advice to Writers.

Você pode me ignorar o quanto quiser, mas vai ter coragem de não dar ouvidos a essa gata? :D

É ou não é a beleza a serviço das letras? :D

Você tem um compromisso com a mentira

fevereiro10

Rick BassÉ o dever da mente. Mentalizar, “mentar”, mentir.

Há uma enorme diferença entre ser um escritor de histórias ou uma pessoa comum. Como pessoa, você se compromete em manter a linha e até vacilar, mas sem sair por se debulhando em lágrimas pelas ruas, sem arrancar os motoristas grosseiros pela janela de seus carros, sem se balançar pelos galhos das árvores no caminho. Como escritor, é sua obrigação mentir e ver tudo na vida, ainda que ultrajante, como uma possibilidade interessante. Você pode precisar de ser impiedoso ou amoral em sua escrita para ser original. Contar uma história cruamente saída da vida real é apenas ser um repórter, e não um criador. Você tem que fazer a sua história maior, melhor, mais mágica, mais significativa do que a vida é, não importa o quão especial ou maravilhoso esse momento pode ter sido na vida real.

Citação de Rick Bass, escritor e ativista ambiental americano.

Porque, antes de tudo, escrevo para mim

fevereiro1

Escrever, como ler, tem que ter, para mim, um componente de prazer estético, tem que ser um desafio intelectual. Porque, antes de tudo, escrevo para mim, escrevo histórias que gostaria de ler. Penso que uma história, para convencer o leitor, tem antes, necessariamente, que convencer o autor. Se me convenço de sua necessidade, se o que tento passar me comove esteticamente, talvez eu possa então comover o leitor, porque pode ser que haja ali uma verdade.

Passando rapidinho só pra deixar essa passagem do Ruffato que li na feérica coluna da Eliane Brum dessa semana.

Leia mais »

Sobre romances e maratonas

janeiro19

“Escrever um romance é como correr uma maratona. É preciso ser metódico. Deixe de fazê-lo por um único dia e perderá o ritmo.”

Paul Auster, escritor norte-americano.

Pura verdade. Durante um desafio no final do ano passado, descobri que escrever um romance é como puxar líquido pelo canudinho. Se você pára, tem que retomar do começo.

Postado como Citação | 12 Comentários
« Postagens anteriores
Instagram
Follow Me on Pinterest