Aprendiz de Escritor

Uma letra de cada vez...

Sobre Neil Gaiman, pirataria, velhos mestres e novas magias

dezembro22

Achei esse vídeo no meio de um dos ótimos quebra-paus debates que o Tibor está propondo lá no blog dele. O segundo, para ser mais exato, sobre merchan e ebooks. Nele, um jornalista faz uma pergunta ao Gaiman sobre a pirataria de livros na web.

Prova de que eu não escolho meus ídolos a toa, o Gaiman transcende a pergunta e traz o seguinte argumento “o inimigo não é a idéia que as pessoas estão lendo livros de graça pela internet, o inimigo são as pessoas que não lêem”.

A livre circulação de cultura arruína com muitos modelos de negócio existentes, mas ela vai além disso. O surgimento dessa tendência como um desdobramento natural, fruto dessa aparente sede de cultura — uma evolução da sede de entretenimento talvez? — já dá indícios claros que não só os mercadores culturais terão muito trabalho pela frente redesenhando seus contratos.

Aqui é onde eu ouso ir além do Gaiman: a minha tribo não é das pessoas que lêem. A minha tribo é a das pessoas que jogam, experimentam, descobrem e vivem.

Leia mais »

17 Dicas do Mario Persona para escrever um livro bacana (e +3 dicas minhas e suas pra completar 20)

dezembro15

Tirando as piadinhas meio nhé, o vídeo traz algumas dicas bacanas (e outras mais babacas e repetitivas).

Listei um resumo abaixo, destacando e comentando as que eu mais gostei. No vídeo ele estraga comenta todas.

Leia mais »

2012: A Profecia Maia & O Futuro do Aprendiz de Escritor

dezembro8

O título é apocalíptico, mas esse post tem tanta notícia boa que chega a me dar coceira no nariz de tanta alegria.

Semana passada, divulguei aqui minha estréia como palestrante no II FECON. Lá, sucedi um dos cabeças do movimento cyberpunk, liderando junto ao meu guru Nelson de Oliveira um debate sobre as tendências da arte e do mercado de literatura capitaneado por Claudio Brites. Tudo isso dentro de uma das maiores universidades brasileiras, então é lógico que a palestra estava cheia — salas de engenharia à jornalismo, de bichos à veteranos. Lógico que, de tão nervoso que eu estava, passei mal durante o dia e até choveu no caminho pra lá.

Leia mais »

Escrevendo no frigir dos ovos

novembro23

O texto abaixo chegou até mim anônimo. Impossível não dividir com vocês.

Quando comecei, pensava que escrever sobre comida seria sopa no mel, mamão com açúcar. Só que depois de um certo tempo dá crepe, você percebe que comeu gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas mãos. Como rapadura é doce mas não é mole, nem sempre você tem idéias e pra descascar esse abacaxi só metendo a mão na massa.

E não adianta chorar as pitangas ou, simplesmente, mandar tudo às favas. Já que é pelo estômago que se conquista o leitor, o negócio é ir comendo o mingau pelas beiradas, cozinhando em banho-maria, porque é de grão em grão que a galinha enche o papo. 

Contudo é preciso tomar cuidado para não azedar, passar do ponto, encher linguiça demais. Além disso, deve-se ter consciência de que é necessário comer o pão que o diabo amassou para vender o seu peixe. Afinal não se faz uma boa omelete sem antes quebrar os ovos.

Leia mais »

Como viver de literatura?

novembro22

O sonho de todo escritor é viver exclusivamente de sua produção literária, mas nem sempre isso é possível.

Junte-se aos Escritores de Quinta, um coletivo literário que se reúne mensalmente no Sesc Pinheiros, para discutir essa questão: é possível viver de literatura?

Escritores de Quinta
Não importa se você é leitor, escritor profissional, amador ou apenas um curioso sobre o assunto, qualquer pessoa interessada pode e deve comparecer ao evento.

Os Escritores da Quinta se reúnem no Sesc Pinheiros, sempre na última quinta-feira de cada mês.

Seja bem-vindo!

Escritores de Quinta: Como viver de literatura? (Grátis)
Curadoria: Bruno Cobbi, Edson Rossatto e Nelson de Oliveira
Quando: 24/11/2011, das 19h30 às 22h00
Onde: Sesc Pinheiros – Rua Paes Leme, 195 – São Paulo – SP
Informações: Tel. (11) 3095-9492

Aprendiz de escritor tem que cursar letras?

outubro20

Drummond fez Farmácia.

Guimarães fez Medicina.

Lygia Fagundes fez Direito.

Willian Falukner não tinha diploma do secundário.

Raduan Nassar cursou Direito e Filosofia.

Cicciolina fez Pornôs.

Para gostar de literatura é necessário uma dose de não-literatices.

— Marcelo Maluf, por email.

À lista de contrastes, vale acrescentar o currículo da Bruna Surfistinha e, lógico, do Padre Marcelo.

Sem ironia.

Mesmo.

“Sobre aprendizes, escritores, autores e fuinhas” por Claudio Brites

setembro20

Postagem especial de Segunda — com letra maiúscula mesmo — texto de autoria incidental de Claudio Brites, um irmão de letras e parceiro de roda literária que soltou o desabafo por email.

A bronca virou discussão — que rendeu agradecimentos especiais a Roger Brontops, por resgatar a anedota  do mangusto — , artigo e, agora,  publicação.

Enjoy. :D

Sobre aprendizes, escritores, autores e fuinhas

Eu estava falando isso com um amigo ontem, eu não gosto que me chamem de escritor.

O que eu escrevi? Alguns contos, aqui e ali. Grande merda.

Eu sou um professor que escreve, se bem que nem professor tenho sido, mas ao menos de formação é isso que sou. Até podem dizer que sou editor, mas escritor é uma meta, quem sabe.

É um estatuto muito delicado de atribuir. Que dirá a se auto-atribuir.

Tem blogueiro que já se acha escritor, ou melhor, tem muita gente que acha que é escritor só porque publica um conto, livro ou mesmo livros.

Sim, se alguém vive de escrever é escritor, no sentido lato, claro, mas é. Escritor de chapa de caminhão, ou de contratos, mas vive de escrever e tem todo direito de se denominar escritor.

Afinal, o cara vai preencher o que na ficha de crediário das Casas Bahia? Escrevente?

E o escrevente, de certa forma, também é um escritor. Da ação de escrever que trato aqui.
Leia mais »

Escreva agora

setembro2

Uma chamada na medida certa no blog do roteirista Danny Stack.

Ninguém lhe pediu para ser um escritor. Ninguém se importa se você escreve ou não. Você pode receber incentivos e conselhos de familiares e mentores, com certeza, mas a decisão de seguir a vida literária só pode ser encontrada em um lugar. Felizmente, a escrita pode ser perseguida como um hobby, ou como um curso noturno, ou durante a pausa para o almoço. Portanto, se o seu desejo emocional básico de se expressar no papel pode ser alcançado e satisfeito enquanto ainda ganha R$ 4.500 por mês no escritório, então você encontrou um feliz equilíbrio entre as responsabilidades de rotina e os impulsos criativos que existem em sua personalidade. Mas se você tem uma necessidade mais profunda de escrever e pensar, muito possivelmente, você poderia ganhar a vida com isso, então precisa seriamente considerar empurrar-se a tentar ser bem sucedido como um profissional.

Leia mais »

Dica gozada para aprendizes maiores de idade!

agosto10

Direto de um bate papo por email com uma das criaturas literárias mais interessantes que eu conheço:

Adoro essas fórmulas [de escrita] que para pouco servem.

Eu trepo, trepo e, enquanto fumo meu cigarrinho pós, sempre tenho um caderninho perto para anotar as ideias que vêm com o gozo.

Gozado, né?

Leia mais »

Graciliano, o Aprendiz de Lavadeira

agosto2

Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas penduram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever deveria fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.

— Graciliano Ramos

A citação foi presente da Laurinha. Sabida, essa menina.

 

« Postagens anteriores