Aprendiz de Escritor

Uma letra de cada vez...

Aprendiz de escritor tem que cursar letras?

outubro20

Drummond fez Farmácia.

Guimarães fez Medicina.

Lygia Fagundes fez Direito.

Willian Falukner não tinha diploma do secundário.

Raduan Nassar cursou Direito e Filosofia.

Cicciolina fez Pornôs.

Para gostar de literatura é necessário uma dose de não-literatices.

Marcelo Maluf, por email.

À lista de contrastes, vale acrescentar o currículo da Bruna Surfistinha e, lógico, do Padre Marcelo.

Sem ironia.

Mesmo.

“Sobre aprendizes, escritores, autores e fuinhas” por Claudio Brites

setembro20

Postagem especial de Segunda — com letra maiúscula mesmo — texto de autoria incidental de Claudio Brites, um irmão de letras e parceiro de roda literária que soltou o desabafo por email.

A bronca virou discussão — que rendeu agradecimentos especiais a Roger Brontops, por resgatar a anedota  do mangusto — , artigo e, agora,  publicação.

Enjoy. :D

Sobre aprendizes, escritores, autores e fuinhas

Eu estava falando isso com um amigo ontem, eu não gosto que me chamem de escritor.

O que eu escrevi? Alguns contos, aqui e ali. Grande merda.

Eu sou um professor que escreve, se bem que nem professor tenho sido, mas ao menos de formação é isso que sou. Até podem dizer que sou editor, mas escritor é uma meta, quem sabe.

É um estatuto muito delicado de atribuir. Que dirá a se auto-atribuir.

Tem blogueiro que já se acha escritor, ou melhor, tem muita gente que acha que é escritor só porque publica um conto, livro ou mesmo livros.

Sim, se alguém vive de escrever é escritor, no sentido lato, claro, mas é. Escritor de chapa de caminhão, ou de contratos, mas vive de escrever e tem todo direito de se denominar escritor.

Afinal, o cara vai preencher o que na ficha de crediário das Casas Bahia? Escrevente?

E o escrevente, de certa forma, também é um escritor. Da ação de escrever que trato aqui.
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Escreva agora

setembro2

Uma chamada na medida certa no blog do roteirista Danny Stack.

Ninguém lhe pediu para ser um escritor. Ninguém se importa se você escreve ou não. Você pode receber incentivos e conselhos de familiares e mentores, com certeza, mas a decisão de seguir a vida literária só pode ser encontrada em um lugar. Felizmente, a escrita pode ser perseguida como um hobby, ou como um curso noturno, ou durante a pausa para o almoço. Portanto, se o seu desejo emocional básico de se expressar no papel pode ser alcançado e satisfeito enquanto ainda ganha R$ 4.500 por mês no escritório, então você encontrou um feliz equilíbrio entre as responsabilidades de rotina e os impulsos criativos que existem em sua personalidade. Mas se você tem uma necessidade mais profunda de escrever e pensar, muito possivelmente, você poderia ganhar a vida com isso, então precisa seriamente considerar empurrar-se a tentar ser bem sucedido como um profissional.

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Dica gozada para aprendizes maiores de idade!

agosto10

Direto de um bate papo por email com uma das criaturas literárias mais interessantes que eu conheço:

Adoro essas fórmulas [de escrita] que para pouco servem.

Eu trepo, trepo e, enquanto fumo meu cigarrinho pós, sempre tenho um caderninho perto para anotar as ideias que vêm com o gozo.

Gozado, né?

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Graciliano, o Aprendiz de Lavadeira

agosto2

Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas penduram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever deveria fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.

— Graciliano Ramos

A citação foi presente da Laurinha. Sabida, essa menina.

 

“Bons leitores e bons escritores” por Vladimir Nabokov

julho18

“Uma noite, numa faculdade provincial distante na qual aconteceu de eu estar ministrando uma longa turnê de palestras, sugeri uma breve sabatina — ofereci dez definições sobre leitores, a partir das quais os alunos tinham que escolher quatro que se combinariam para formar um bom leitor. Acabei perdendo a lista, mas até onde me lembro foi algo assim.”

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Comece a escrever hoje

junho30

Tara Moss

Escreva. Comece a escrever hoje. Comece a escrever agora. Não escreva direito, apenas escreva — depois você vai corrigir. Permita-se a liberdade mental de desfrutar o processo, porque o processo da escrita é um processo longo. Desconfie de “regras de escrita” e conselhos literários. Faça do seu jeito.

— Dica preciosa de ninguém menos que a deliciosa Tara Moss, escritora de bestsellers criminais internacionais, palestrante e top model. Peguei lá no Advice to Writers.

Você pode me ignorar o quanto quiser, mas vai ter coragem de não dar ouvidos a essa gata? :D

É ou não é a beleza a serviço das letras? :D

André Vianco: uma lição literária fantástica, literalmente fantástica

junho6

Imagine que você é um ex-entregador de pizza sem diploma universitário que acaba de perder o emprego de atendente de telemarketing.

Imagine que, mesmo desempregado e morando com a mulher e a filha de dois anos no fundo da casa dos pais, você decide torrar os R$ 8 mil da indenização trabalhista na impressão de 1000 exemplares de um romance escrito em três meses.

Agora imagine que esse livro é um romance que mistura de vampiros portugueses com os poderes dos X-Men rondando a região de Osasco, um município industrial vizinho de São Paulo.

Tudo isso cinco anos antes do estouro de Crepúsculo.

Sim, você decide alimentar sua família com literatura fantástica.

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Aprendiz de Leitor

maio16

Quer dizer, você sabe ler e não lê? Onde é que você está com a cabeça? Achou seu espírito no lixo? Leia. Aproveite. Faça um favor a si mesmo: prometa que jamais dirá que não tem tempo para ler. Fale sobre livros em vez de falar mal do chefe, do vizinho, do colega. Crie uma história só sua com os livros, movida pela sua própria busca. Leia aquilo que lhe dá prazer — ainda que seja um prazer vindo do incômodo. Leia por prazer. Leia por temor. Leia por coragem ou por inocência, fingindo que não será o mesmo depois do ponto final. Torne a literatura a matéria prima da sua vida. Ela é uma espécie de feijão e arroz da alma.

Veio do meu Skoob pra cá. É meio meu, meio da Eliane. Escrevi a um tempinho, embriagado de um texto dela. Foi paixão literária a primeira vista.

O velho #mimimi da “literatura ingrata”

maio5

Laurear méritos aos que já morreram e condenar à morte os que lutam para mantê-la viva. Isso torna a literatura ingrata.

— “Ingrata Literatura“, por Diogo Santana no blog Diálogos

Não vou trollar o artigo do Diogo, muito pelo contrário. Gosto do blog dele. E o artigo foi tão foda que me cutucou a escrever, afinal ouço esse #mimimi a respeito da literatura desde muito antes dessa vida de Aprendiz de Escritor. É o velho dilema Tostines na versão literária: literatura não vende por que é ruim ou é ruim por que não vende?

O fato é que essa ladainha dificilmente chega a algum lugar. Mas deveria.

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