Fantasticon 2010: Palestra das Editoras [Parte 2 de 7]
Para não cansar dividi a minha cobertura da Fantasticon 2010 em postagens diferentes, mas você pode lê-las em qualquer ordem pois tratam de atrações diferentes. Essa é a segunda parte onde eu comento as novidades anunciadas na palestra das editoras brasileiras especializadas no gênero fantástico. Essa atividade rolou sábado, dia 28 de agosto de 2010, o segundo da convenção.
A idéia era discutir com quem toma as decisões no mercado editorial brasileiro dentro do gênero fantástico.
Da esquerda para a direita:
- Douglas Quinta Reis, Devir (@devir_livraria)
- Daniela Padilha, DCL, Difusão Cultural do Livro
- Ednei Procópio, Giz Editorial (@gizeditorial)
- Richard Diegues (@RichardDiegues), Tarja Editorial (@TarjaEditorial)
- Erick Santos (@ericksama), Draco Editora (@editoradraco)
- Adriano Fromer Piazzi (@afpiazzi), Editora Aleph (@editora_aleph)
Todos compareceram com novidades, informações e curiosidades. A palestra foi animada, bem humorada e com um ares de papo de bar.
Fiquei conectado pelo Twitter o evento todo e documentei tudo por lá. Consultar esses comentários é meio ingrato pela navegação no Twitter, então arquivei tudo aqui nessa postagem, em ordem cronológica.
Entre as novidades o @ericksama revelou que a @editoradraco põe o pé no mainstream com “Antes Tarde do que Sempre”. [Link]
O @RichardDiegues divulgou que a @TarjaEditorial também está em contato com autores internacionais. [Link]
O Edney da @gizeditorial lançou a #UniversoFantastico, uma revista de literatura fantástica impressa. [Link]
A Daniela da editora veterana DCL entra na roda com o novo selo Farol de literatura fantástica. [Link]
A @devir_livraria tenta chegar sem novidade nenhuma. Foco no RPG e nas 5 linhas que o @RSCauso coordena. [Link]. O problema é que a @devir_livraria só tem 4 linhas editoriais: scifi, terror, fantasia e ensaios. A última é segredo. [Link]
O Adriano da @editora_aleph chega anunciando lentidão no catálogo, mas traz uma iniciativa transmÃdia com uma websérie de Alma & Sangue. [Link]
Talvez pela minha formação como designer multimÃdia, empolgo muito com iniciativas de literatura transmÃdia, como essa websérie que o Adriano anunciou para o livro da Nazarethe Fonseca ou o seriado de TV que o André Vianco está produzindo para a sua trilogia O Turno da Noite. No caso do André, acredito que seja mais uma adaptação, mas já mostra amadurecimento da ficção de gênero dentro do Brasil.
Abriram para perguntas do público e a primeira delas foi sobre a relação entre as modinhas (investigação histórica a lá Dan Brown, vampiros a lá Stephanie Meyer, e assim por diante) e a forma como eles escolhem histórias para serem publicadas. Adorei a resposta do Erick:
“Modismo é prejudicial. Escreva algo que só você é capaz. Deixe que a SUA história se mostre pra nós.” por @ericksama da @editoradraco [Link]
Escuto isso desde que entrei na primeira palestra a aspirantes a escritores: escreva com verdade. Dedique-se à sua história, seja ela de vampiros, berinjelas alienÃgenas ou tratores turbinados na Terra do Nunca (8O). Entenda a moda atual, afinal é através dela que as editoras avaliam o mercado, mas não use-a como ferramenta para escolher o que vai escrever. Se você tiver uma boa história sobre tratores na Terra do Nunca, as editoras vão te publicar mesmo durante a onda dos livros sobre beringelas alienÃgenas.
Lógico que também pintou pergunta sobre os eBooks.
“O ebook chega pra polemizar o meio de campo. Temos que dividir nossa atenção e isso complica.” segundo a @gizeditorial [Link]
Afirmação sincera essa do Ednei. Das pilhas de editores que ouvi falarem desse assunto, poucos admitiram que o eBook atrapalhou. O mercado de literatura está definitivamente em processo de mudança. Para aprofundar nessa discussão, sugiro a leitura do artigo “E se cada livro tivesse um exemplar online?” do Carlos Nepomuceno.
Numa pergunta que envolvia o segredo para o sucesso de vendas, abriu-se discussão sobre os programas governamentais de publicação (Rouanet, PROAC, etc.) e a Daniela da DCL (editora veterana, mas novata no mercado de fantasia), falou o seguinte:
“Nossa escola ainda é muito ortodoxa. Apresento uma ficção cientÃfica e o professor pergunta: qual é o tema?” @Daniella_Padilha da DCL [Link]
Quer exemplo maior do preconceito com o gênero? Aposto que se um professor complementasse outras vestibuleituras com “O Jogo do Exterminador” (que, apesar da capa, é uma obra de qualidade literária indiscutÃvel), terÃamos aà um aumento de trocentos porcento na taxa de interesse por fÃsica, matemática e leitura no geral.
Depois pintou a velha pergunta sobre o segredo para ser lido por um editor. Muitos defenderam seu interesse por novatos, uns com lançamentos, como Neon Azul (romance de fantasia urbana do Eric Novello pela Draco) e outros com abertura de coletâneas como Paradigmas (da Tarja) e Imaginários (da Draco). Daà eu ouvi…
“90% dos nossos autores são estreantes e não pagam pela tiragem.” por @RichardDiegues da @TarjaEditorial [Link]
…e fiquei triste por ter caÃdo entre os 10% que tiveram que rachar metade da publicação com a editora dele. ![]()
Entretanto, espero que isso seja verdade.
O que me anima é que tiragem paga pelo autor não é mais sinônimo de baixa qualidade. O SÃlvio Alexandre fez dois comentários que mostram isso:
“O sucesso de ‘Os Sete’ do @andrevianco começou numa tiragem paga pelo autor e deu no sucesso que deu.” por @silvioalex [Link]
“Outro sucesso que começou em tiragem paga é #ABatalhadoApocalipse do @EduardoSpohr. Na bienal vendeu 900 numa tarde.” por @SilvioAlex [Link]
Dois tremendos exemplos pra ninguém desanimar. ![]()
Depois tivemos mais algumas considerações sobre essas tiragens pagas e a ansiedade do escritor em publicar o livro. Eles alertaram que o mercado é lento mesmo, e que exige paciência.
Vejam o exemplo que o Adriano deu:
“Nos EUA o intervalo entre o primeiro US$ investido e recebido é de 1 ano. Imaginem aqui no Brasil.” @editora_aleph [Link]
Daà dá pra ter uma idéia de como é preciso pegar leve por aqui.
Depois, uma novidade: o blog Universo Fantástico está tentando lançar uma nova revista sobre literatura fantástica nas bancas:
Na edição 0 da revista #UniversoFantastico tem o @BraulioTavares relacionando Tolkien e Guimarães Rosa! Boa, @gizeditorial! [Link]
Entre as sugestões para o ano que vem, poderÃamos ver representantes das grandonas nessa mesa: Rocco, Planeta, Novo Século, Leya e outras gigantes. O SÃlvio Alexandre (organizador do evento, siga no @SilvioAlex) tem contatos quentes e os próprios autores de fantasia, terror e scifi de cada uma dessas editoras poderiam fazer o meio de campo.
Mais Fantasticon 2010 por aqui
Essa é a primeira parte dos meus comentários sobre a Fantasticon 2010. Você pode ler as postagens em qualquer ordem pois elas comentam atrações diferentes:
- Abertura do evento: Palestra sobre o fantástico na literatura brasileira com Moacyr Scliar.Â
- Sábado: Palestra das Editoras com Aleph, Devir, DCL, Giz, Tarja e Draco. (você acabou de ler)
- Sábado: Bate-papo Literatura Mainstream vs. Gênero com Nelson de Oliveira.
- Sábado: Palestra sobre o fantástico em Guimarães Rosa com Bráulio Tavares
- Domingo: Oficina de romance fantástico com André Vianco (em breve)
- Domingo: Multimeios para literatura fantástica com Draccon, Spohr, Kastensmidt e Castrinho (em breve)
- Domingo: Palestra sobre contos de fadas com Rosana Rios (em breve)
Leia outros relatos
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- Mais alguns relatos sobre o Fantasticon 2010
- Relatos sobre o Fantasticon parte #04
- Relatos sobre o Fantasticon parte #05
- Relatos sobre o Fantasticon parte #06
- Veja as fotos tiradas pelo Leandro “Radrak” Reis

Oi, Bruno! Vi no twitter sobre o seu blog e vim aqui ver sua cobertura do Fantasticon! E adorei muito! Eu estive em São Paulo pra Bienal mas não pude ficar pro Fantasticon (uma pena =~). Então estava à procura de pessoas que fizeram a cobertura! Achei muito legal seus posts porque poucas pessoas fizeram cobertura do Fantasticon e raras pessoas falaram das paletras – que eu estava louca pra ver. Então, muito obrigada por disponibilizar algumas partes aqui! Esperarei ansiosamente os próximos posts! ^^~
Mariana,
Seja bem-vinda ao Aprendiz!
É realmente uma pena que você não tenha ficado para o evento! Para os fãs de literatura fantástica acredito que foi até mais bacana que a Bienal…
Tudo bem! Fique alerta que vou soltando as coberturas de cada atração que participei!
Dei um pulo lá no Muito Pouco CrÃtica e adorei seu blog também! Chique você hein!