Despertar
Deus chamou à luz, dia, e, às trevas, chamou noite. Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o primeiro dia.
— Gêneses 1:5
Baunilha inebriante mesclado em rosas. Abro os olhos e me espreguiço sobre a cama, esquecendo do mundo fora da janela. Sinto falta de algo que vagava numa brisa de outono e refrescava o suor do quarto. Logo me dou conta que foi apenas um sonho bom. Tudo bem. Aprendi a ser paciente.
Levanto e ligo o CD player. Freddie chora sobre quem quer viver para sempre. Sorrio sozinho com a ironia e refresco o rosto na torneira da suíte. No espelho, encontro apenas três décadas entalhadas no meu rosto; a barba por fazer, os cabelos lisos sem corte e a pele castigada de sol. A cicatriz ainda está lá. Suave, mas sempre lá. Ela me arrasta de volta a um lago bretão que refletia esse mesmo rosto. Eu cortava o cabelo longo pela primeira vez. Ele atrapalhava demais nos meus primeiros estudos de esgrima, uma prioridade na Idade Negra.
Ainda sonolento caminho até o guarda-roupas. Calça, sapato e camisa social, com dois botões abertos para exibir o dragão no colar. Cartucheira no ombro esquerdo e algibeiras transversais. Engatilho e travo a pistola sentindo saudades do meu cabelo longo. Toca o telefone.
Meu estômago gela.
Ninguém tem esse número e eu pedi que a recepção não incomodasse.
— Alô?
— Desculpe senhor. Acho que foi engano.
A garota do outro lado da linha é interrompida abruptamente pelo maldito sinal de ocupado. Um falsete doce — fá menor, salvo engano. Olho para o telefone por alguns instantes e respiro aliviado enquanto o coloco de volta no gancho. Não era ela. Nem podia ser.
Embora pareça que foi ontem, nossa última noite juntos foi perturbada em Constantinopla. Os turcos matavam tudo o que viam pela frente da maneira mais desumana e grotesca que o frenesi da guerra os permitia. Foi uma cena terrível e quase épica: um lindo rosto que me olhava e, em silêncio, dizia que voltaria, pedindo paciência
Sigo para a porta do apartamento e saio vestindo o sobretudo de sarja negra. Na calçada, debaixo do sol quente e sozinho na multidão, calço os óculos escuros e abro caminho na direção de uma velha cabine telefônica do outro lado da rua. Entro e espero o telefone tocar. No teto, um adesivo desgastado indica que estou no lugar certo — um gato preto e sorridente carregando uma sacolinha de mão. Esquadrinho as redondezas em busca de um agente, mas não encontro nada além no meio da pressa e da ignorância. A campainha toca e saco o telefone do gancho o mais rápido que posso.
Como sempre, ninguém me vê desaparecer. Incrível como eles sempre escolhem as cabines nos lugares certos.
Referências pra que te quero, esclareço que esse foi feito a quatro mãos (ou seria “a dois teclados”?) com um primo de sangue e irmão de alma.
O primeiro de muitos, espero eu.
rs… acho isso beeem familiar né Dieguito? rs… A versão final ficou mais leve no sentido de apreensão da informação, do feeling do que está acontecendo e a marcação do tempo mais no estalo, quero dizer com ritmo mais corrido (era pra ser meio policial se não me engano). Então acho que ficou mais na vibe, ficou num tempo mt bom, os backs mais precisos e objetivos (o que eu acho que é meio a cara do personagem). Ah o “q” de mistério no ar ficou bacana tb! eu curto…
flw.
DEUS TE OUÇA!!! Também não pretendo ficar só nesse não! Ficou bom hein Bru!!! Gostei bastante da adaptação!… Diria até q o original é o “filme” e esse seria o “trailer”?! hehehehhe…
Só faltou o “Comming Soon” no fim!!!