“Lave-Letras”
Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar.
Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.
Dizem que é o trecho acima é do Graciliano Ramos, mas não encontrei a fonte. De qualquer forma, a metáfora é bem bacana! Dica da colega de classe Juliana Durães que ouviu, pessoalmente, do B-Arqueiro e Mestre Marcelino Freire. ![]()
Olá Bruno! Tardo, mas não falho! Visitar teu blog é sempre aprazível. Já li Graciliano Ramos e se o trecho não é dele, parece muito ser.
), mas, nem todo mundo nasceu com a vocação ou dom, então, muitas vezes algumas manchinhas insistentes ficam impregnando o tecido, é complicado para quem não tem a habilidade nata, mesmo se esforçando! Se comparo minhas roupinhas esfarrapadas com as roupas impecáveis de gente que labuta feito você…rs, passo vergonha!kkkk!
Aproveitando a metáfora: muitos até tentam deixar essa “roupa suja” limpa feito quê! (eu, inclusive…
Ótima reflexão para quem gosta de escrever! Bjins e até!