Aprendiz de Escritor

Uma letra de cada vez...

Mais sobre o dia do livro, vocação e profissão!

outubro30

Em comemoração ao dia do livro, o programa Panorama da Rádio Eldorado AM entrevistou o magistral Pedro Bandeira, por quem eu alimento um extremo sentimento de gratidão!

Foi esse vovô de risada fácil, simpatia contagiante e cheio de paixão pelas palavras que escreveu alguns dos livros que eu mais curti na minha época de colegial! Quem não leu A Droga da Obediência ou Anjo da Morte que atire a primeira pedra!

Para os que perderam a conversa incrível da locutora Vanessa Di Sevo com o Mestre Bandeira, a rádio disponibiliza gratuitamente o áudio de todos os programas pelo site e você pode escutar a entrevista completa clicando aqui.

Durante o papo, o escritor fala de diversos assuntos interessantes a nós, aprendizes. Ele conta como se tornou um escritor, de onde nascem suas idéias intrigantes, como ele usa a internet e o computador a seu favor na criação das suas obras mágicas e até das críticas aos livros de auto-ajuda que dominam o mercado! Também fala sobre incentivar as pessoas a procurarem os livros por diversão (coincidência?), sobre como preparamos as crianças para os desafios do século XXI, das necessidade do uso de norma culta e da discussão sobre o individualismo na internet (o dilema da faca). Ele dá até conselhos para quem quer começar a escrever um livro!

Lá pela metade da gravação, aos 17 minutos e meio, ele responde (magistralmente, na minha opinião) uma pergunta minha sobre o que ele acha a respeito de um curso de formação de escritores:

Bom eu não conheço o curso que você está fazendo, mas suponho que seus professores sejam pessoas realmente muito bem intencionadas. Eles podem te ajudar, mas ninguém faz, nenhum professor faz, por exemplo, um ator. Nenhum professor faz, por exemplo, um cantor. Ele pode fazer com que um ator que já é bom seja um pouco melhor, um cantor que já é bom seja um pouco melhor. Um bom professor pode fazer com que você escreva um pouco mais redondo e tal, mas ou isso está dentro de você ou não está. A arte é uma coisa que se ajuda, mas não se ensina. Você pode aprimorar. Uma moça que tem boa agilidade e talento pra dançar precisa de um professor pra fazer seus exercícios, mas se ela não tiver talento, ela nunca será uma bailarina.

Incrível né? Concordo: ninguém cria bons escritores, engenheiros, administradores, advogados, arquitetos… Isso depende de vocação.

A vocação e profissão são duas coisas diferentes, mas a nossa realização profissional depende que essas coisas andem juntas. A palavra profissão vem do latin professu, que significa perito, ofício, declaração. A palavra vocação vem do verbo latino vocare, que quer dizer voz, invocar, chamar. A vocação é, portanto, o chamado. No âmbito religioso cristão, a vocação é sempre um chamado de Deus para alguma coisa; um verdadeiro chamado para a aventura! A pessoa chamada se sente atraída (e até impelida) na direção desse chamado. Além disso, a vocação é sempre vista como algo que se pode fazer de útil para os outros, e que é, portanto, um serviço que se pode prestar ao próximo.

A profissão é aquilo em que a pessoa se especializa, aquilo com que ela decide ganhar seu dinheiro, declarando-se publicamente como profissional. Desnecessário dizer como é chato estudar, se dedicar e ter que conviver com uma atividade pela qual você não é apaixonado. O desafio portanto é descobrir qual é a sua vocação, para poder se especializar nela.

Nesse contexto, acho que o nosso curso de formação de escritores faz parte desse processo de especialização, de profissionalização. Assim, como o Mestre Bandeira disse, é um processo de aprimoramento de um talento, a lapidação de um dom.

É óbvio que o preconceito que sofremos ainda é grande. Já cansei de ver gente torcendo o nariz quando eu digo que farei parte de um grupo que receberá um dos primeiros diplomas de escritor nesse país. No entanto, o Mestre Bandeira disse uma coisa muito sábia, sobre a qual o escritor  Orlando Paes Filho e o editor Rogério de Campos já tinham me alertando anteriormente: se há pessoas tirando diplomas de artistas plásticos, então por que a literatura ainda não tinha esse suporte aqui no país?

2 Comentários sobre

Mais sobre o dia do livro, vocação e profissão!

  1. Em 30 de outubro de 2008 ás 7:25 pm Pedro Ernesto de Luna disse:

    Sou irmão do Pedro Bandeira e muito me orgulho disso. Por acaso sou escritor de um livro só, e esse livro foi fruto do aconselhamento do mestre Bandeira como você tão bem o classificou. Ele pegou uma crônica minha e me mostrou que tinha todos os elementos para se tornar um livro. Foi o que aconteceu e não é que já vendeu 100 mil exemplares! Quanto ao bem escrever eu concordo em numero e gênero com o meu irmão. É preciso ter talento. Mas como complemento ao talento, eu recomendaria: evidentemente ler. Ler tudo, o que já implica em outro requisito: curiosidade. A curiosidade acrescenta cultura que vai levar a resultados mais ricos. Ler também autores portugueses. Saramago é essencial. Revisar textos de terceiros permite liberar o espírito critico que depois aplicaremos a nós mesmo. Traduzir: traduzir exige o esforço mental de bem interpretar o original (e, às vezes, até melhorá-lo). Eu tive um handicap. Não genético, mais de convivência: ser irmão do Pedro Bandeira

  2. Em 4 de novembro de 2008 ás 12:30 pm Pedro Bandeira disse:

    Caro amigo Bruno,

    Como você escreve bem! Na certa, com alunos como você, a tarefa de seus professores no curso para escritores deve ser bem fácil!

    Obrigado pelo seus textos e também pela indicação do site da Rádio Eldorado, cujo acesso a programas passados eu não sabia ser possível. A Editora Moderna vai incluir o acesso a essa entrevista na parte do site da editora que trata de minha obra.

    Obrigado!

    Aquele abraço do

    Pedro Bandeira

    PS: E logo saberemos de sua carreira como escritor, tenho certeza!

Não será divulgado

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