“O Mangusto” por Aleister Crowley
Havia estes dois homens, compartilhando um vagão de um trem. Eles não se conheciam. Apenas estavam viajando juntos. Um dos homens tinha, sobre seu colo, uma caixa de papelão com furos feitos na tampa.
Depois de algum tempo gasto em observar o que poderia estar dentro da caixa de seu companheiro de viagem, o outro homem finalmente não pôde conter sua curiosidade. Ele perguntou:
— Perdoe-me, mas não pude não perceber sua caixa. Ela contém alguma espécie de animal?
O outro homem, apesar de obviamente surpreso por esta intromissão impertinente de um estranho, sorriu educadamente ao responder:
— Você está absolutamente certo. Realmente há uma criatura guardada nesta caixa. E ademais, posso contar, o animal em questão é um mangusto.
O primeiro homem, que iniciara o inquérito, ficou espantado pela revelação. Balbuciando com surpresa, procurou por maiores explicações acerca desta revelação certamente provocadora feita por seu estranho companheiro de viagem.
— Um mangusto? Senhor, devo confessar que tinha esperado um gato, ou coelho, não um animal tão exótico e diferente. O animal a que você se refere desperta tanto minha curiosidade que devo implorar-lhe, senhor, que me conte mais. O que o senhor deseja com este espécime, se posso ser tão ousado?
O outro homem, que sentava com a caixa perfurada sobre o colo, encolheu os ombros aborrecidamente quando respondeu:
— Bem, é uma questão um tanto pessoal, visto que diz respeito a uma tragédia familiar. No entanto, uma vez que acredito poder confiar em sua discrição, suponho que não me importo em compartilhar meu conto infeliz com você.
“Veja bem”, o homem continuou, “esta triste história diz respeito a meu irmão mais velho. Ele sempre foi aquilo a que acredito que você poderia se referir como a ovelha negra da família. Por muitos anos, ele se entregou a uma série de vícios previsível e rotineira, dos quais o pior era seu gosto por bebidas fortes. Seu alcoolismo progrediu até que ele agora se encontra nos estágios finais de delirium tremens. Meu irmão agora vê serpentes por todo lado, e esta é a razão por que lhe estou levando este mangusto, para que possa dar cabo delas”.
— Desculpe-me — o outro homem interrompeu, parecendo confuso. — Mas, essas cobras que seu irmão vê… Não são cobras imaginárias?
— Deveras — seu companheiro de viagem respondeu. — Mas este — e aqui ele gesticulou de forma significativa para a caixa perfurada sobre seu colo, — este é um mangusto imaginário.
Tradução por Sávio, do blog Filosofia de Calcada.

Gostei.
Até que enfiiiiimmm!!!!!!!!!!!
Muito bonito o layout.
Muito bom o conto.
=D
Hmmm… Texto legal.
Já vi que visitarei mais vezes…
Pedro,
Conhece aquela caixa de algum lugar?
Sue,
Waw! Vc foi rápida hein! Nem deu tempo de eu terminar de escrever a postagem sobre o novo layout antes de você podtar sobre ele!
Tamy,
Seja bem vinda! Curiosidade: como foi que você que me encontrou?
O conto é bacana. Mas ele deixou mais vontade ainda de ler coisas da sua própria lavra, Brunão.i
Genial sacada com o mangusto, hehehe… Ele merecia mesmo um espaço que extrapolasse aquela aula.
O layout está belíssimo e me remete à obra: “O primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade”, um escritor que se colocou como eterno aprendiz, sobre o qual sempre vale a pena conhecer um pouco mais.
Abraços,
Laura,
Não seja por isso! Já temos a Luriel estreando aqui no blog! Aguardo seus comentários!
John,
O mangusto é lendário! E sobre os eternos aprendizes, acredito que alguns dos mestres mais divertidos e talentosos que eu conheci se colocam nessa condição! E obrigado pela dica!