Ninguém sai ileso da boa literatura

O nome desse gênio é Philip Pullman, ateu de carteirinha e autor premiadíssimo da trilogia Fronteiras do Universo, cujo primeiro volume — chamado A Bússola de Ouro — já foi adaptado para o cinema.

Tire no mínimo trinta segundos pra refletir sobre a elegante paulada britânica que esse artista desferiu nessa entrevista.

Tudo a ver com aquele segredo que dividi com vocês.

13 comentários sobre “Ninguém sai ileso da boa literatura

  1. Ser ateu e desconstruir figuras religiosas só desperta atenção porque existem crentes para se ofender. De qualquer forma, se analisarmos bem, os dois grupos são radicais. E ambos advogam teses absurdas: os céticos defendem a criação da matéria pela matéria; os religiosos defendem a existência de um deus antropomórfico (bom, sensível, preocupado com sua criação e cheio de metas a cumprir). Basta gastar um minuto filosofando para perceber que nenhuma das duas proposições faz o menor sentido. Abs.

  2. Rapaz, vc me surpreendeu. Assisti a adaptação da Bússula e caí naquele preconceito obtuso de achar que se o livro (parece ser) infanto-juvenil o autor não pode ser um sujeito profundo… Mesma coisa que fazem com o CS Lewis — e de que eu reclamo. Que vergonha! Agora, com essa defesa fulminante da liberdade (que o politicamente correto quer reprimir) fiquei bem interessado na obra e quero correr atrás dela. 😀

    Me lembrou uma entrevista que eu vi com o Rushdie, por causa das ameaças de morte a ele… Só que essa é bem mais concentrada e vai mais direto ao ponto!

  3. Bom Blog!!!

    E que vídeo interessante…
    Já ouvi falar muito desse cara e de como suas fantasias só são fantasias reais para quem quer acreditar e não quer ver além.

    Abraços!

  4. Já fazem uns três anos, se bem me lembro, que li a triologia Fronteiras do Universo e de minha parte sempre a achei fantástica, desde o primeiro momento! Não sou atéia, porém não defendo religiões entretanto, e isso me fez gostar mais ainda da triologia e da maneira como Pullman escreve. Acho ele um excelente escritor e minha consideração só aumenta quando o vejo defendendo suas ideias de maneira tão expressiva, assim na cara mesmo, coisa que muita gente não tem corajem para fazer. Penso que muitos poderiam voltar atrás depois de escrever criticando a Igreja como ele fez, mas minha admiração por este homem está justamente em sua bravura por prosseguir sem se deixar abalar. Seria ótimo se existissem mais pessoas dispostas a confrontar esses valores já tão fundamentais para a sociedade.

  5. Parafraseando Carl Sagan

    Às vezes acredito que há Deus às vezes eu acredito que não. Em qualquer dos casos, a conclusão é assombrosa.

    Sou Cristão, mas acredito cegamente no direito de liberdade de expressão.

    Belíssima resposta!

  6. UAU!

    Jamais conseguiria, sob pressão, ser tão educado, eloquente, de raciocínio rápido, transparente e honesto desse jeito!

    No mínimo eu diria: entrevista/palestra encerrada e sairía correndo ahah.

    Publicar livros também é isso. Temos que estar preparados para as críticas negativas, os protestos, enfim… É o outro lado…

  7. me lembro de uma vez ter discutido essa coisa da aceitação com um amigo meu. o cara é um puta músico, só que temente às opiniões de outros músicos, principalmente os que estão alghum patamar acima na escala evolutiva do reconhecimento. e eu disse pra ele: foda-se o que cicrano, beltrano ou fulano vão pensar do som que você faz, o mais importante é saber se está bom pra você, quem quiser que ouça, que quiser que goste. simples assim. (é claro que eu não fui tão classudo quanto o pullman hehehe)

  8. Bruno, talvez você considere uma bobagem dar e receber selinhos de qualidade de outros blogs. Mas… meu blog recebeu seu primeiro selinho e escolhi o Aprendiz entre meus blogs preferidos para recebê-lo, como manifestação de amizade e de admiração. Passe lá para conferir. Tenha um ótimo domingo. Abraços, Carolina

  9. Adorei!

    Sou católica, mas acho que todos têm o direito de expressar suas opiniões. Ninguém pode calar o outro só porque ele pensa diferente. Pullman, literalmente “deu nos dedos” de quem lhe indagou.

    Os ateus também, acabam sendo muito estigmatizados por o serem. Para provar isso, basta lembrar pessoas que dizem que o motivo de tanta violência é a falta de fé em Deus nas pessoas… como se somente ateus fossem criminosos. Uma bobagem, preconceito imbecil.

    Pullman foi brilhante em sua resposta. Temos o direito de não concordar, mas não de calar.

  10. Bom Sérgio, embora o propósito da postagem não tenha sido essa, o próprio Rainier já trouxe uma citação que ilustra bem essa discussão teísta que, ao meu ver, é secundária diante da atitude expressiva que o nosso amigo Phillip demonstra no vídeo. Foi isso o que ficou pra mim, como Aprendiz de Escritor.

    A entrevista do indiano Rushdie que o Vinícius citou me interessou muito. Fui atrás dela e encontrei duas que são bem legais, uma na Veja (que acredito seja a qual ele cita no comentário) e outra no Todo Prosa, mais curta, parafraseada e que vale a pena pra quem só quer um panorama do assunto que esse gênio suscita. O cara é o Neil Gaiman politizado.

    Vale o cuidado, Febe, de que essa vontade de confrontar valores não seja maior do que a vontade de manter-se fiel a si mesmo. O Bode usou o exemplo da música e vale levar isso a uma esfera maior, sempre usando a arte como ferramenta de descoberta de si do mundo, seja você leitor ou escritor.

    Assim como aos já citados acima, deixo meu obrigado pelas visitas, elogios e complementos aos sempre bem vindos Denis, Raitoringo, o pessoal do podcast literário Grifo Nosso, Laura Fuentes, Roseane e o George.

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