“NÃO ESCREVA BONITO” por Marcelino Freire

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Escrever bonito é uma merda. Não queira esse elogio de ninguém. Loa tipo essa: você escreve tão bem. Você nos toca. Ave nossa! Fuja dessa mentira. Dessa falácia! Não procure palavras gloriosas. Maquiagens pesadas. Botox nas frases. Bom é verbo velho. Enrugado. O peso exato de cada parágrafo. Nem mais nem menos. Fique longe, sempre digo, de qualquer sentimento. Releia, agorinha, aquele seu conto. Ponto por ponto. Se, aqui e ali, você parar a leitura para suspirar. Jogue fora o suspiro. Tudo que for adjetivo elevado. Enganoso. Xô, ao lixo! Não presta para a poesia o que é cerimonioso. Solene. Também não invente termos acadêmicos. Gregos pensamentos. Arrodeios na língua. Lembre-se: todo livro nasce falido. Raquítico. Você critica tanto o discurso político. E faz o mesmo na hora de escrever. Usa gravata para parecer ser. E não fica sendo, nem um tiquinho, parecido com você. Esta pobre imagem que avistaremos no espelho. Antes de morrer. Nosso! Faz tempo que eu não falava assim tão bonito. Que merda! Pode crer.

— do blog Ossos do Ofídio

(A oficina dele começa amanhã. Não vacila.)

8 Dicas para Romancistas Estreantes

Minha admiração pelo Bráulio Tavares fratura limites. Escritor, poeta, compositor, roteirista e crítico, é uma enciclopédia viva sobre literatura fantástica nacional. Ouvir esse cara falar da produção sci-fi de Guimarães Rosa durante a Fantasticon foi transcendental. Hoje ele postou oito dicas que um escritor gringo, o Mark Savras, elaborou depois de ser jurado de um concurso para romancistas estreantes. Saca só.
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Oficina de contos com Marcelino Freire

Muita gente me escreve pedindo indicações de oficinas e cursos, pois na semana que vem começa uma oportunidade que Aprendiz de Escritor nenhum pode perder.

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Eu já perdi as contas de quantas vezes eu recomendei as literatices do Marcelino Freire por aqui.

Ganhador do prêmio Jabuti por Contos Negreiros, organizador da Balada Literária e um dos Mestres mais competentes com que eu já travei letras, essa oficina foi uma das que mais me destravou parágrafos ladeira abaixo. A energia do Marcelino é contagiante.

Pra melhorar ainda mais, os melhores textos produzidos durante essa oficina serão reunidos numa coletânea e publicados pela editora Terracota!

Nem falo mais nada. Imperdível.

As inscrições são limitadas. Vai lá!

Onde: Espaço Terracota Editora, na Vila Mariana, São Paulo.

Quando:  8 encontros  a partir de 5 de março, terça, das 19h30 às 22h30.

Quanto: 6 x R$ 112,50

Nosso umbigo é inútil depois do parto (mas mesmo assim ele continua lá)

No Brasil, literatura também é segunda profissão, ou hobby mesmo. Faça as contas: um autor ganha uns três reais por exemplar vendido, e as tiragens aqui raramente passam de 3.000 exemplares. Então, não importa muito sobre o que o escritor brasileiro vai escrever, e muito menos se vai escrever bem. Muito pouca gente vai ler. Dito isso, podemos fazer melhor. Escrever bem é técnica, e escrever divinamente é talento e suor, mas a prova dos nove é escrever sobre a realidade. A pesquisa de Regina explicita que o assunto da ficção brasileira é o umbigo do seu autor, um coroa diletante.

Esse comentário acima é do André Forastieri, um jornalista que bloga no R7. Ele foi feito em cima de uma pesquisa bem polêmica feita pela professora Regina Dalcastagnè sobre etnias, gêneros e profissões entre escritores contemporâneos e seus personagens. A pesquisa provocou reflexão. O comentário deu um panorama bem interessante do atual ressentimento que a indústria cultural está vivendo.

Entretanto, é um ponto de vista (e de reflexão) obrigatório para qualquer Aprendiz de Escritor. Será que esse predomínio branco, heterossexual, diplomado, cinquentão é tão alienado assim da realidade onde vivem nossos escritores? Será um retrato tão fiel ou infiel da nossa geração cultural? Será ele tão demoníaco? Faça suas preces, veja o infográfico lá no Tumblr e deixe seu comentário aqui embaixo.

Ah! Uma dica: não caia na armadilha de confundir o “escrever sobre a realidade” com literatura engajada, marginal ou qualquer coisa do tipo. Escrever sobre a realidade é escrever na realidade. Imerso nela, com e sem vendas nos olhos, com e sem máscaras diante dos demais. Ciente do torpor, mas inevitavelmente mergulhado nele.

8 Regras de Escrita do Mestre Gaiman

  1. Escreva.
  2. Coloque uma palavra depois da outra. Encontre a palavra certa, coloque-a ali.
  3. Termine o que está escrevendo. Independente do que for preciso para terminar, termine.
  4. Coloque de lado. Leia fingindo que nunca leu isso antes. Mostre para amigos cuja opinião você respeita e que gostem desse tipo de coisa.
  5. Lembre-se: quando as pessoas lhe dizem que algo está errado  ou que não funciona para elas, geralmente elas estão certas. Quando elas lhe dizem exatamente o que acham que está errado e como consertar, geralmente elas estão erradas.
  6. Conserte. Lembre-se, cedo ou tarde, antes de atingir a perfeição, você precisará deixar como está e seguir adiante, começando a escrever a próxima coisa. A perfeição é como perseguir o horizonte. Mantenha-se em movimento.
  7. Ria das suas próprias piadas.
  8. A principal regra  da escrita é que ao se escrever com segurança e confiança o bastante, você acaba autorizado a fazer o que quiser (isso também pode servir como regra para a vida, mas é definitivamente verdade na escrita). Portanto, escreva sua história como ela precisar ser escrita. Escreva-a honestamente, e conte-a da melhor forma que puder. Não estou certo que haja qualquer outra regra. Nenhuma que importe.

Via The Guardian

“Meu Ideal Seria Escrever…”

Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse — “ai meu Deus, que história mais engraçada!”. E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria — “mas essa história é mesmo muito engraçada!”.

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