6 comentários sobre “Pare de procurar dicas

  1. É fato, Brunão. Depois de muitas oficinas, cursos, estudos, feiras, etc, etc… Percebi que tenho que tomar vergonha na cara e produzir. Fiquei um bom tempo parado (dando mil e uma desculpas a mim mesmo…), até que enfim voltei a escrever no final do ano passado. Agora é escrever mais, e tentar melhorar e continuar escrevendo e continuar tentando. Uma hora a coisa vai! rs… Abraço!

  2. Escrevo crônicas para mim mesma, e meu maior sonho é me tornar escritora, mas minhas crônicas são estranhas. São escritas do coração, não sei se isso é bom ou ruim. Escrevo desde criança, e só agora amostrei meus textos a alguém em que confio. Pode me ajudar ?

  3. Oi, Maria Eduarda. Olha só, para que você seja escritora, bastam duas coisas: um texto seu e um leitor para ele. Se tiver essas duas coisas, você já é escritora. Mas… Acontece que os escritores são criaturas ególatras por excelência. Imagine que um texto que você escreve pode interessar a outros, que suas ideias são boas, que uma frase sua pode açodar sentimentos, risos, fantasia, poesia, paixão, reflexões das mais variadas. Se você imagina que é boa o suficiente para se expor assim, que o que você escreve é algo realmente bom para que alguém dedique alguma atenção ao seu texto por algum tempo, então perceba que, em alguma medida, é sua vontade de ser admirada, aplaudida e referenciada que está agindo.

    Isso, no fundo, é o que move o artista e o escritor é um artista! Portanto, escritores ficam mais satisfeitos quanto mais leitores tenham. Almejam o aplauso, a fama e os dividendos oriundos de sua arte, como o músico e o dançarino, como o pintor e o ator. Por isso, às vezes, optam por afastar seu texto do coração só para arregimentar mais leitores (grandes atores já se renderam à Rede Globo e a uma novela medíocre, só porque elas lhes dão algum reconhecimento e grana). Ao escritor, muitas vezes, tornar-se menos fiel a si mesmos ou render-se ao “lado negro da força” é uma opção.

    Isso é bom ou ruim? Cabe a você trilhar seu caminho. De repente, manter-se fiel ao que você pensa, ao seu coração, ao seu ritmo e a sua aprendizagem como escritora (escritores evoluem, aprendem a cada livro que leem e a cada linha que escrevem) é o caminho correto. Mas, pense bem, manter seu texto muito próximo ao seu coração significa, muitas vezes, agradar só a si mesma. Tente desprender-se desse paradigma. Achar que o que lhe agrada é o que agrada todo mundo é um grande erro! Talvez algum distanciamento ajude. Você escreve só para si? Se assim for, deixe seu texto na gaveta e se esqueça de ser escritora, pois, como disse no princípio, o escritor precisa de um texto e de alguém para lê-lo.

    Expor-se faz parte dessa arte como de qualquer outra e por isso é natural que no início haja algum receio de se estar produzindo algo bom, mas você só saberá se está indo no caminho certo se tiver a coragem de tentar. Qualquer ator ou cantor veterano vai te dizer que ainda sente um “friozinho na barriga” a cada vez que sobe ao palco. Na verdade, o medo mantém o foco, ajuda a gente a pôr os pés no chão, ajuda a ter senso crítico e mantém a verve criativa. Além disso, vencer o medo ajuda a ir adiante, a ignorar os percalços e a seguir o real caminho de sua vocação (você tem vocação ou é só uma modinha passageira, essa de escrever? Vocação também se desenvolve, sabia? Inspiração é bom quando se tem vocação, mas a vocação mesmo, prescinde de qualquer porcaria de inspiração). Um detalhe que acho importante comentar, é que manter-se fiel ao coração, muitas vezes significa acomodar-se com o ambiente confortável em que se encontra. Sair da zona de conforto é essencial!

    O ator que interpreta só na frente do espelho não é realmente um ator, o cantor que só solta a voz no chuveiro, não é um cantor, de fato. O ideal para o escritor é evoluir com paixão, aprendendo com as críticas, focando em seu coração, sim, mas granjeando substância para que seu texto agrade também aos outros (daí vem o desenvolvimento de sua vocação). Vai chegar um momento em que você vai estar mais satisfeita consigo mesma, e vai ter leitores, sejam 2, 2000 ou 2 milhões. Se estiver preparada para eles, você continua fiel a si mesma. Qualquer coisa que vier além disso, será por artifícios outros que não seu real poder de convencimento, artificial e, portanto, longe de seu coração.

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