Partituras Literárias
Podemos fazer afirmações verdadeiras sobre personagens literários porque o que lhes acontece está registrado em um texto, e um texto é como uma partitura musical. É verdade que Anna Karenina se suicida, assim como é verdade que a “Quinta Sinfonia” de Beethoven foi escrita em dó menor (e não em fá maior, como a “Sexta”) e se inicia com “sol, sol, sol, mi bemol”. Mas certos personagens literários, não todos, acabam saindo do texto em que nasceram e migrando para uma região do universo muito difícil de delimitar.
Foram emigrando de texto em texto (e, por meio de várias adaptações, de livro para filme ou balé, ou da tradição oral para o livro) tanto personagens dos mitos como da narrativa “leiga”: Ulisses, Jasão, o rei Artur ou Percival, Alice, Pinóquio, D’Artagnan. Mas, quando falamos de personagens desse tipo, referimo-nos a uma determinada partitura?
— Umberto Eco, “A Literatura Contra o Efêmero“
Escritor e semiólogo italiano, o Mestre Eco é um dos Merlins da Literatura e dispensa qualquer comentário. Esse texto foi publicado pela Folha de São Paulo, no caderno Mais do dia 18 de Fevereiro de 2001. Encontrei-o enquanto fuçava por aqui e achei indispensável compartilhá-lo com vocês.


Eco é magnífico. É tão bom em semiótica quanto na literatura.
Ei Bruno, blzinha?
Você teria o contato da Tati?
Leo,
Fato.
Christie,
Não, mas lembro que ela disse para Googlar “Tatiana Ades”.