[Perguntas & Respostas] Dá pra começar pela crônica?

A pergunta de hoje veio da Silvia, nos comentários da última postagem dessa série:

Leio de tudo mas gosto mesmo é de crônicas… Dá pra começar por aí? Poderia indicar alguns autores “obrigatórios” que seguem esse estilo literário ou que ajudariam um pretenso autor? Agradeço imensamente!

Oi Silvia.

Dá sim. Na verdade, acredito que hoje em dia isso seja mais comum do que você imagina.

Explico.

Atualmente, a crônica privilegia o jornalismo e sugere um gênero chamado pela crítica literária de “não-ficção”. Esse gênero vem sendo revolucionado pela explosão dos blogs e redes sociais que, nas duas últimas décadas, têm formado inúmeros escritores e leitores. Ou seja, como muita gente começa suas leituras e escritas espontâneas através desses canais,  tem muita carreira literária começando pela crônica.

Adorei sua pergunta porque você já se prontificou a pesquisar o tema antes de sair escrevendo. Eu sempre digo que é preciso ler, no mínimo, o triplo do que se escreve. Aí, pra retribuir caprichando ainda mais na sua resposta, chamei uma amiga que é especialista nesse gênero pra responder sua pergunta.

Com a palavra, a jornalista Nanete Neves.

Olá Silvia,

A crônica é mesmo um gênero delicioso de se ler mas dificílimo de produzir porque ela precisa conter uma série de itens cuja combinação requer extrema destreza e mão-leve tais como: delicadeza, humor, deslumbramento e universalidade capaz de tornar o tema mais banal em algo maior. Por isso dizem que a crônica é boa quando você ainda pensa nela muito tempo depois da leitura.

No Brasil, é um gênero que basicamente se divide em dois tipos: a mineira (reflexiva, densa e poética) e a carioca (mais leve e bem-humorada, ligada ao comportamento e fatos do cotidiano).  Nos dois casos, temos excelentes cronistas tais como Rubem Braga, Fernando Sabino, Humberto Werneck e Ivan Angelo, todos com vários livros publicados. E se você é amante do gênero, aproveite para ler as crônicas ligeiras publicadas nos principais jornais, tais como as de Antonio Prata (todas as quartas na Folha de São Paulo) e Milton Hatoum (quinzenalmente às sextas em O Estado de São Paulo).

Boa leitura!

Nada como um especialista apaixonado, não é mesmo? 😀

Bom, eu vou deixar uma dica também. A Nanete vai começar uma oficina literária justamente sobre isso no dia 6 de julho. Serão quatro encontros breves, mas que eu tenho certeza absoluta que valerão pro resto da vida. Se você é blogueiro, Aprendiz de Escritor e gosta de escrever sobre o que acontece no seu dia a dia de forma poética, essa é a oficina perfeita pra você.

E parte da resposta que eu dei para o Thiago continua valendo: independente do gênero, o importante é começar. A ler e a escrever. Ande sempre com um livro debaixo do braço, solte a caneta, castigue o teclado, anote tudinho. A prática constante é o mais importante. E não se comprometa com publicações. Eu mesmo já passei por isso e sei o quanto pode ser prejudicial. Primeiro produza sem pensar em publicar.

Cada coisa a seu tempo.

(e obrigado à Nanete, pela participação especial) 😉

3 comentários sobre “[Perguntas & Respostas] Dá pra começar pela crônica?

  1. Crônicas focam na visão do escritor sobre um assunto, que é a base para se escrever qualquer texto autoral.

    Ou seja, quem escreve crônicas precisa ter uma opinião sobre alguma coisa, o que também é indispensável para quem quer escrever ficção.

    Soa redundante, mas é incrível como muitos dos escritores com quem converso acham que jogar uns personagens na página e colocá-los em situações de perigo é suficiente para se escrever uma boa história.

  2. cara curto muito seu blog, creio que você não deve ter muito tempo livre, mas se tiver por favor dê uma olhada nessa história que estou desenvolvendo.

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