“Já se perguntou porque o PRESENTE tem esse nome?”
Nesse início de jornada, recebi uma quantidade incontável de presentes em todos os sentidos. Para os ausentes (!) em sala de aula, os contos e comentários listados aqui no blog testemunham por conta: as influências, críticas, elogios, comentários, opiniões, aulas, lições… Um universo dentro de uma palavra: presente.
Nesse universo de ganha-ganha (onde aquele que ensina na verdade é o mais aprende), também recebi presentes concretos, desses que podem ser tocados, cheirados e guardados. Muito despretensiosamente, eles ilustram um pouco do que essa palavra me significa.

A onda de presentes começou muito antes disso, mas o primeiro fruto concreto veio numa inesperada (e generosa) oferta do colega Renato Torelli. Depois de conhecer um pouco da minha ficção fantástica, ele me identificou com uma referência notória do mundo dos manhuás: presenteou-me com os cinco primeiros volumes da saga Priest, de Hyung Min-Woo. Esse autor foi o pioneiro no estilo ação/terror dentro do seu país e a saga é internacionalmente conhecida por sua dicotomia perturbadora no melhor estilo Hellblazer, Preacher e Spawn.
A história gira em torno de Ivan Isaacs um padre promissor que liberta um anjo caido chamado Temozarela de seu exílio milenar. O inimigo provoca a morte do sacerdote e sua amada, mas Isaacs não se dá por vencido e negocia com o demônio Belial uma segunda chance para caçar sua vingança. Ação, terror, religião e conflitos morais. Será que eu estou gostando?
Que feeling hein Renato! Mesmo sem ser fã desse universo de HQs orientais, estou praticamente mastigando os volumes! Futuras indicações serão extremamente bem-vindas! Para este humilde andarilho que vos fala, não há presente melhor do que uma boa história e essa promete ser uma das boas!
Falando em sacerdotes, o pregador lá no canto inferior direito, foi presente do Júlio Carvalho. (mas esse trocadilho aí no começo certamente foi presente do Ruy). Curiosamente, o Júlio distribuiu um pregador para cada colega da turma e, por mais exótico que possa parecer, usou-os como veículos de divulgação para o seu blog, o Deletrando.
Obviamente, esse presente é nobre demais para se juntar aos seus irmãos mais pobres, feitos de plástico, que ficam na sacola bordada ao lado do varal aqui de casa. Então, deixei-o sobre minha escrivaninha e, aos poucos, encontrei mil utilidades para o apetrecho. Já usei-o para apoiar papel no monitor, prender o fio do meu MP3 Player na alça da mochila e agora ele está me servindo como um curioso prendedor de papel (muito melhor do que um clips, aliás). Quem diria, hein Júlio! O seu pregador de madeira crua, tão humilde, simples e comum, despertou meu olhar de criança e se transformou numa ferramenta versátil e inovadora nesse mundo de papel que eu, muito pretensiosamente, ouso chamar de “meu quarto”.
E já que estamos falando de ousadia, confesso que, por motivos óbvios, se tornou impossível tocar nesse assunto sem lembrar (respeitosamente) dos presentes da Nanete. Depois de uma revelação bombástica da minha parte durante o nosso primeiro sarau etílico lá no Saralho (uma bodega nos confins da Santa Cecília), a minha caríssima mentora Nanete Neves presenteou-me com um volume preciosíssimo para as minhas futuras jornadas (terrestres e literárias): Dom Casmurro de Machado de Assis. Finalmente, poderei deliciar-me com a saga da libidinosa Capitu e todo o mistério em torno de sua fidelidade. A melhor parte? Eu (felizmente, por hora) não me lembro de nada (da época do colégio) sobre o enredo! Um presente divertido, nobre e, ao mesmo tempo, lascivo e atrevido, como não podia deixar de ser, vindo de quem veio.
Ah, como eu adoro ganhar livros! Aliás, esse não foi o único não! Numa encadernação pequena (mas cheio de uma arte grandiosa), toda a turma recebeu do professor Nelson de Oliveira um pequenino exemplar do livreto Mínimo Eu, do poeta Valério de Oliveira (a capa azulada, na foto acima). Diminuto no tamanho, mas gigante na utilidade, o presente está me servindo bem para o exercício de convívio com a poesia, que o mestre indicou na última aula. Leve, singelo e útil. Está presente o tempo todo no meu presente de agora.
Pra terminar esse elogio aos presentes, cito o mais surpreendente de todos eles: a carta (lá no canto esquerdo). Essa sim foi um presente totalmente inesperado que recebi do amigo e humorista Ruy Falcão durante nossa primeira aula da disciplina Poesia e Outras Artes (que, inclusive, é ministrada pelo professor Nelson, citado acima). Impossível explicar o valor sentimental que esse pedaço de papel representa sem descrever o contexto mágico no qual ele me foi entregue.
Durante sua primeira aula, o professor Nelson perguntou cuidadosamente a cada um de nós qual era a nossa relação com a poesia. Fortalecendo o argumento da colega Cris Rogério à respeito da magia poética da praça da língua no Museu da Língua Portuguesa, testemunhei como um dos jovens que foram arrebatados pelo encanto desse lugar; lá eu redescobri a magia da poesia brasileira que tinha esvanecido por causa da chateação da escola. Um verdadeiro templo da literatura — uma experiência única, que eu recomendo.
Instantes depois dessa minha confissão terapêutica, eis que recebo das mãos do irreverente Ruy, ainda em aula, o seguinte versinho:
Depois de muita zoada,
Visitando o museu da língua
Levei uma bordoada,
E não deixei mais a poesia à míngua
Bruno, uma homenagem ao seu encontro com a poesia.
Ruy
Presente. Um verdadeiro (e fantásticamente poético) presente presente (repetido mesmo). Poesia é magia e não há presente mais valioso, duradouro e verdadeiro do que a magia.
Obrigado Ruy (e Cris, pela fagulha inspiradora), Nelson, Nanete, Júlio e Renato. Os presentes de vocês (em todos os sentidos), certamente fizeram, fazem e farão seus papéis nessa longa jornada que todos nós estamos iniciando pelas selvas mágicas do universo da literatura. Nada acontece por acaso e, parafraseando um outro mentor, as coincidências não passam de milagres em que os Deuses preferem permanecer incógnitos (e é impossível nublar o presente do Seu Eduardo nessa última inspiração espiritual).
Embora não tenha sido possível registrar todos esses presentes em sala de aula, fica aqui minha partilha com os demais irmãos de armas e, porque não dizer, com todo o mundo do ciberespaço. Que essas dádivas que recebi (e todas as lições retirei delas) sejam de proveito mútuo e gozo coletivo. Desnecessário dizer que todo os presentes citados acima estão disponíveis para todos os colegas e, inclusive, para um possível leitor desavisado. Não é de hoje que meus livros viajam mundo afora.
Acredito piamente que presentes são feitos para serem partilhados e não é nada diferente disso que vim fazer por aqui. Espero que todos vocês façam o mesmo, afinal, os comentários estão logo aí embaixo, esperando ansiosamente por todos vocês que, corajosamente, seguiram minhas linhas até este fim de mensagem.
A chama da minha espada e o aço do meu escudo estarão sempre com vocês.


Sabe o que eu penso do presente ?
Somos todos presentes uns para os outros !
Estar é um grande presente!
Conhecer voce Bruno é o Presente !
Téca
O presente é mais intrincado e cheio de significados do que podemos imaginar. Mas acredito que a própria palavra em si já é reveladora: presente sempre estamos quando presenteamos, seja com um livro, um mimo ou mesmo um afago. Se você sente a pessoa por perto, ela já se tornou um presente.
Abraço Brunão, até a noite.
Verdade irrefutável: em sala de aula a aprendizagem intelectual e emocional é mútua, o ato de presentear também. Quanto aos mimos literários (poéticos!), pode apostar que outros virão: materiais e imateriais. E quando vocês quiserem (agora falo ao grupo todo) podemos ir juntos ao Museu da Língua Portuguesa, curtir coletivamente a emoção da Praça da Língua.
Bruno, faço das palavras da Teca as minhas.
Abraços literários
Sady
Bruno, por isso sempre digo que você é o mais doce host do grupo. Foi bom demais te conhecer, beber da sua energia jovem, compartilhar segredos e sonhos, e ainda futuramente poder contar com o aço de seu escudo prá nos proteger das críticas que, certamente virão agora que decidimos entrar nesta jornada. Faz parte. Você é especial, sabia?
um beijão
PS: curta a moça com olhos de ressaca e tente desvendar o que há por trás deles…
Oh Bruno:
NAMASTÊ
Que mais, além de minha amizade, te posso presentear?
Em divina amizade
AMOR E LUZ
Tá vendo? Poesia e pregador é tudo bombril com suas 1001 utilidades… hahaha
Bruno, Bruno…
Você jamais imaginará como leio esta sua poesia em perfeito momento.
Você mudou um coração um tanto cansado de tanto bla bla bla e encheu-o de esperança, de alegria, de poesia mesmo. São as relações de afeto que mais importam, não?
Este foi meu presente.
Beijo grande
Cris