Aprendiz de Escritor

Uma letra de cada vez...

Sobre Neil Gaiman, pirataria, velhos mestres e novas magias

dezembro22

Achei esse vídeo no meio de um dos ótimos quebra-paus debates que o Tibor está propondo lá no blog dele. O segundo, para ser mais exato, sobre merchan e ebooks. Nele, um jornalista faz uma pergunta ao Gaiman sobre a pirataria de livros na web.

Prova de que eu não escolho meus ídolos a toa, o Gaiman transcende a pergunta e traz o seguinte argumento “o inimigo não é a idéia que as pessoas estão lendo livros de graça pela internet, o inimigo são as pessoas que não lêem”.

A livre circulação de cultura arruína com muitos modelos de negócio existentes, mas ela vai além disso. O surgimento dessa tendência como um desdobramento natural, fruto dessa aparente sede de cultura — uma evolução da sede de entretenimento talvez? — já dá indícios claros que não só os mercadores culturais terão muito trabalho pela frente redesenhando seus contratos.

Aqui é onde eu ouso ir além do Gaiman: a minha tribo não é das pessoas que lêem. A minha tribo é a das pessoas que jogam, experimentam, descobrem e vivem.

É essa a tribo que está aí fora, senhores.

Diante disso, é natural (e inevitável) que os artistas também transcendam.

A tinta, o corpo e o som estão aí desde que o mundo é mundo. Há pouca magia que já não tenha sido realizada usando esses três ingredientes. Agora computadores, internet, celulares, redes sociais e outras maravilhas do nosso século são fenômenos novos, reais, cheios de magia a ser explorada.

E se é que ainda há alguma magia ancestral a ser feita usando a velha tríade tinta/corpo/som eu apostaria que ela está estritamente ligada às consequências causadas por esses novos ingredientes.

Quando é que vamos parar de macaquear nossos ancestrais? Quando é que vamos perceber que temos o cérebro mole para aceitar as mudanças? Para evoluir!

Cabe aos novos artistas misturar esses novos ingredientes com tanta versatilidade e talento quanto os antigos mestres usaram nos ingredientes que eles tinham em mãos.

E sabe lá do que essas novas magias serão capazes…

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5 Comentários sobre

Sobre Neil Gaiman, pirataria, velhos mestres e novas magias

  1. Em 25 de dezembro de 2011 ás 11:38 pm Graziella Mafraly disse:

    Metamorfose ambulante para poder se adaptar. Adorei a resposta da entrevista, pois faz pensar e é isso o mais genial.Precisamos mudar… sempre.

  2. Em 5 de janeiro de 2012 ás 5:49 pm Laura Fuentes disse:

    Concordo com o Gaiman: tudo o que um escritor mais quer é ser lido, critiquem ou amem. Melhor ainda se for por pessoas como as da tua tribo, que jogam, experimentam, descobrem e vivem.
    Beijos e o desejo que em 2012 você vôe alto, querido.

  3. Em 10 de janeiro de 2012 ás 9:20 pm Vinicius Mantovan disse:

    Gaiman expressou de maneira clara que as empresas espalham boatos sobre pirataria de livros e cd´s porquê sabem quem realmente perde com isso são as empresas e não os artistas e escritores. Como um amigo meu, editor de livros, costuma a dizer: “O escritor acaba sendo refém da editora, ele vai ganhar quanto ela quiser passar e divulgar, o escritor não escolhe nem capa do livro em muitos casos”.
    Bem divulgado Bruno

  4. Em 16 de fevereiro de 2012 ás 2:17 pm Felippe Katan disse:

    Esse é Neil Gaiman. Sou fã desse cara! Ótimo vídeo e ótima resposta.
    Já vi vários artistas falando contra a atual visão de “pirataria”, que nem é pirataria. Dia desses vi uma reportagem com o Paulo Coelho, que eu nem curto, falando sobre isso. Ele disse que, depois que um dos seus livros caiu na internet, ele teve um salto nas vendas, inclusive fora do Brasil.
    Essa ideia de vender cultura, da forma que é feito hoje em dia, é o que prende a evolução cultural da sociedade.
    Várias coisas são controladas para não chegar às camadas mais “baixas” da sociedade para que os que estão “em cima” permaneçam assim.
    Mas o mundo muda, sempre.

  5. Em 16 de fevereiro de 2012 ás 3:13 pm Aline disse:

    Interessante a sua provocação. Gostei do site e espero ver o reflexo de seu pensamento, que não é só seu – pelo visto, mas bem necessário para entender a evolução do mundo, hã? – nos seus trabalhos. See ya.

Não será divulgado

Exemplo de Website

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